Economia

CGD. Lucro cai 39% para 392 milhões até setembro

Banco público contava com mais de 62 mil moratórias, totalizando os 5651 milhões de euros. Menos 15 mil face a julho.

O lucro da Caixa Geral de Depósitos (CGD) caiu 39% para 392 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, em comparação com o período homólogo. No mesmo período do ano passado, a instituição financeira liderada por Paulo Macedo tinha registado um resultado positivo de 640,9 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2019.

O banco público revela  que nos primeiros nove meses, e em antecipação dos efeitos expectáveis da crise económica, registou-se um reforço de imparidades de crédito e de provisões para garantias bancárias de 220 milhões.

Neste período, a margem financeira diminuiu 76,5 milhões de euros (-9%) face ao mesmo período do ano anterior, “impactada pelos níveis historicamente baixos das taxas de juro e pela amortização antecipada de crédito a entidades públicas que se verificou em 2019”. Já as comissões líquidas recuaram 1,1 milhões de euros (-0,3%) face ao período homólogo. Quanto aos custos de estrutura, estes “totalizaram 620,9 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2020, o que se traduziu numa redução de 10,2% face aos primeiros nove meses de 2019. Esta evolução positiva foi especialmente significativa na diminuição de 47,7 milhões de euros dos custos com pessoal (-11,0%)”, explica o banco.

Os depósitos de clientes aumentaram 5,3 mil milhões de euros nos primeiros nove meses, “evolução essencialmente justificada pela captação da CGD Portugal, impulsionado pelo aumento da taxa de poupança das famílias e demonstrando a confiança dos clientes na Caixa”.

Já o crédito a empresas em Portugal (excluindo os setores de construção e imobiliário) cresceu 9,8% nos primeiros nove meses. Já a produção de crédito à habitação “manteve a tendência de aumento da quota de produção que atingiu 21% entre janeiro e agosto e 24% se considerado apenas o mês de agosto, alcançando-se na produção anual um crescimento de 4% face ao período homólogo de 2019”. 

Moratórias

Até setembro, o banco tinha 62 387 moratórias, num montante total de 5651 milhões de euros. Isto quando, em julho, tinha 78.184, num total de 6.982 milhões de euros. Esta descida, segundo o banco público, deve-se ao facto de muitos clientes particulares terem optado por não beneficiar da extensão da moratória.