Politica

PCP questiona para que "serve" o estado de Emergência

"Por estes dias, a pretexto da subida de casos de pessoas infetadas, novamente se levantaram as vozes dos que reclamam mais restrições às liberdades", disse Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa voltou a mostrar-se, esta quinta-feira, contra o estado de emergência ao defender que os problemas causados pela covid-19 não se resolvem com "limitação de direitos" ou "criação de climas de medo”. O secretário-geral do PCP questionou ainda, várias vezes, para que serve o estado de emergência.

"Para quê o estado de emergência", se o país tem é "um problema nos lares", sendo "preciso identificar o caminho da infeção", começou por referir Jerónimo de Sousa, durante o seu discurso num debate sobre cultura e património promovido pelo partido em Évora, destacando que quer saber "o que é que o estado de emergência vai fazer em relação a este problema".

"As escolas hoje têm problemas com falta de professores, falta de assistentes operacionais", acrescentou ainda o líder do PCP, reiterando que não entende para que “serve” o estado de emergência e como é que "servirá para resolver este problema".

“Esta epidemia coloca problemas sanitários, económicos e sociais", disse Jerónimo, referindo que estes problemas "não são resolvidos pela limitação de direitos e a criação de climas de medo".

"Por estes dias, a pretexto da subida de casos de pessoas infetadas, novamente se levantaram as vozes dos que reclamam mais restrições às liberdades, mais cortes de direitos e mesmo medidas mais musculadas", acrescentou, referindo que este posicionamento representa uma troca da “pedagogia pela via repressiva, estando para isso em preparação a declaração do Estado de Emergência".

"O Governo anunciou já um conjunto de medidas que se afiguram desproporcionais e para além do estritamente necessário no combate de saúde pública contra a epidemia e prepara-se para as agravar", referiu, lembrando depois o que já aconteceu em algumas das principais saídas da capital portuguesa.

"Lembram-se das filas de 17 quilómetros, com quatro horas à espera, as pessoas dentro dos carros, com crianças, muitas vezes", disse, para voltar depois a questionar como é que estas medidas "mais musculadas" contribuem "para resolver o problema da epidemia”.

O líder do PCP defende que para combater a pandemia "o que se impõe é reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), assegurar a proteção individual, fazer a pedagogia da proteção", afirmou, defendendo ainda que é preciso "dinamizar as atividades económicas, sociais, culturais, desportivas, exercer os direitos políticos e sociais e combater o medo e os seus propagandistas".

 "Aquilo que é essencial é que sejam adotadas as medidas necessárias e adequadas a enfrentar os problemas, incluindo os de saúde pública, porque não basta invocar a gravidade da situação, como o Governo faz, é preciso fazer corresponder as palavras aos atos", defendeu.