Politica

Presidenciais abrem guerra entre socialistas

António Costa está preparado uma difícil e hostil reunião com os seus pares do órgão máximo do PS entre congressos que, hoje à noite, determinará a posição do partido nas próximas presidenciais.
Como tornou público na célebre visita conjunta com Marcelo Rebelo de Sousa à Autoeuropa, o secretário-geral socialista defende que o partido deve dar liberdade de voto, abrindo assim a porta para o apoio implícito à reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa – à imagem do que o PSD de Cavaco Silva fez em 1991 com Mário Soares. 

Mas esta posição pró-Marcelo, que colhe apoios entre ‘históricos’ como Ferro Rodrigues ou João Soares e é apoiada pelo presidente do partido, Carlos César, e por Augusto Santos Silva, é manifestamente minoritária no partido. Pedro Nuno Santos, que lidera a ala esquerda socialista, defende abertamente o apoio a Ana Gomes e deverá insistir que a posição do partido não pode ser indiferente ao facto de haver uma candidata assumida que é uma destacada militante socialista. E esta posição de Pedro Nuno Santos parece ser maioritária no aparelho socialista, sendo já públicas várias declarações de apoia a Ana Gomes, desde logo a de Isabel Soares. Uma posição de maior incómodo está reservada para Fernando Medina, que, tal como César, Ferro e Soares, apoia a reeleição do Presidente em funções.

Neste cenário pouco favorável a António Costa – que ainda por cima entrou em rota de colisão com Marcelo em matéria de combate à pandemia e quanto à necessidade de declaração do estado de emergência – há quem admita que o partido deve dar liberdade de voto, tal como o secretário-geral defende, mas com uma ‘nuance’ significativa: só para os três candidatos da esquerda. Ou seja, Ana Gomes (que já conta com o apoio do PAN e do Livre), Marisa Matias (apoiada pelo BE) e João Ferreira (PCP) – sendo que este último viu ontem Ascenso Simões juntar-se a Isabel Moreira entre os socialistas seus apoiantes.