Internacional

Diretor da Secção de Crimes Eleitorais demite-se por não concordar com investigações a fraudes eleitorais

Richard Pilger não concordou com o posicionamento do Procurador-Geral William Barr, que ordenou que se investigassem alegadas fraudes eleitorais

Richard Pilger, diretor do ramo do Departamento da Justiça que investiga os crimes eleitorais nos Estados Unidos, apresentou a demissão esta segunda-feira depois de o Procurador-Geral William Barr ter autorizado que os procuradores federais investiguem alegadas fraudes nas eleições presidenciais.

“Após me ter familiarizado com a nova política e as suas ramificações, e de acordo com a melhor tradição do Prémio John C. Keeney para a Integridade Excecional e Profissionalismo — o reconhecimento departamental que mais estimo — tenho lamentavelmente de me demitir do cargo de diretor da Secção de Crimes Eleitorais”, informou em comunicado, citado pela NBC News.

Investigar as acusações de fraude eleitoral, constantemente referidas por Donald Trump, trata-se de uma contradição das práticas do Departamento de justiça para evitar escrutínio: ora, tal só poderia acontecer “até as eleições em questão estarem concluídas, os resultados serem certificados e todas as recontagens e concursos eleitorais concluídos”, chegou a dizer o próprio William Barr. No entanto, para o Procurador-Geral, “tal abordagem de aplicação passiva e retardada pode resultar em situações em que má conduta eleitoral não pode ser corrigido de forma realista”.

“Embora seja imperativo que alegações confiáveis ​​sejam tratadas de maneira oportuna e eficaz, é igualmente imperativo que o pessoal do Departamento exerça a cautela adequada e mantenha o compromisso absoluto do Departamento com a justiça, a neutralidade e o não partidarismo”, disse Barr, republicano e próximo de Trump.

Por não concordar com as investigações, Richard Pilger demitiu-se, mas não saiu do cargo sem antes deixar uma nota aos colegas: “gostei muito de ter trabalhado convosco por mais de uma década numa lei, política e prática federal de crime eleitoral agressivas e reforçadas diligentemente, sem medos ou favores partidários“, disse o diretor. “Agradeço o vosso apoio nesse esforço”, concluiu.