Tautologias

Não há cavaleiro sem montadas

A ministra e a diretora-geral da Saúde ameaçam a vida dos portugueses e o país. Não há saúde sem economia e elas continuam a ajudar a dar cabo de ambas.

1. Admito que José António Saraiva (JAS) tem razão no texto, publicado no último SOL, sobre a ministra da Saúde e a diretora-geral. Mas é por isso que a democracia, a república e o país estão como estão. No entanto, errou na conclusão e pressupostos. Cumprir ordens não ilibou os executores nazis. E não me falem nos que estão pior do que nós. Com o mal dos outros posso eu bem (embora, naturalmente, o lamente).

Uma DGS não pode aceitar ser «apenas porta-voz do Governo», nem uma ministra ser girl. Nem podem decidir de acordo «com estados de alma», como JAS diz que fariam se António Costa não lhes desse ordens.

«Cumpriram ordens», afirma, parecendo não se aperceber de que diz o pior delas. Porque deixa de ser apenas incompetência para passar a ser falta de caráter, criminosa nas circunstâncias. 

A DGS não está obrigada a cumprir ordens do Governo. É DGS por ser médica, e de saúde pública. E um médico só deve obedecer à sua consciência, ao que o saber lhe diz dever fazer, ao juramento que fez. E um médico a quem está confiada a saúde pública tem de ser mais exigente na sua independência.

À ministra cumpre, de facto, aceitar as instruções do PM. Mas admite que ele lhe anule o cérebro e a consciência? Por bem menos demitiu-se um ministro da Saúde a sério, Adalberto Campos Fernandes. 

Por isso, insisto: as senhoras ameaçam a vida dos portugueses e o país. Não há saúde sem economia e elas continuam a ajudar a dar cabo de ambas. 

2. Ataque imediato, determinado, sem hesitações nem exceções, sem deixar bolsas para novos surtos de ataque. Rastreios rigorosos nos aeroportos e nas fronteiras.

Daí a vitória, a normalização, a recuperação da economia na China ou nas hiperliberais Taiwan (quatro mortos) e Coreia do Sul, Nova Zelândia e Macau (zero mortos). Perguntem aos portugueses como foi.

3. Aqui passa-se exatamente o contrário e tudo está como começou: comando à deriva, hesitante, meias-medidas erráticas, exceções e discricionariedade na aplicação. Uma guerra não se vence assim. 

E sempre a mesma ‘balda’ nos aeroportos, na entrada de cruzeiros e nas fronteiras… que é só uma. Experimentem ir a Macau ou a Taiwan.

4. A partir de 11 de janeiro, data da divulgação pela China da sequenciação do genoma do vírus, só não percebeu o que aí viria quem não quis. E bastava olhar para o que eles fizeram.

Tivemos tempo para tudo, mas as senhoras e o Governo continuaram no dolce far niente. Que ‘logo se veria’. E viu. Já temos mais de metade dos mortos que teve a China, com uma população 155,5 vezes maior.

Garantiram que o SNS estava preparado.

Em março mexeram-se finalmente, para dizer o que não deveriam ter dito: «As máscaras dão um falso sentimento de segurança, apenas protegem o outro». (Só o PR corrigiria, semanas depois, a enormidade.)

Não havia máscaras, por culpa delas. E mentiram em vez de explicarem que seria vital usá-las quando as houvesse (em menos de um mês havia montes). Com a generalidade dos especialistas e a OMS a ensinarem a usá-las – como a DGS nunca fez. 

E a que se agarraram as senhoras? Ao distanciamento social, «que bastava». Mentiram! É de facto precioso, mas insuficiente por ser impraticável em inúmeras circunstâncias. Bastava sair à rua ou ligar o televisor para ver. É próprio dos humanos aproximarem-se. Vejam a foto.

Revolta-me a persistência esquerdista assassina em não recorrer aos privados – consequência de um PS infiltrado pelo BE e cheio de idiotas úteis. 

Portugal precisa com a maior urgência de um ministro e um DGS a sério. Não são necessárias eleições para isso. Basta um PM com a mão na consciência ou um PR farto. Como já devia estar.