Opinião

Gestão de áreas ambientalmente sensíveis

As zonas húmidas estão em decréscimo acentuado, a nível global, como consequência das alterações climáticas e do aumento da pressão da utilização dos recursos hídricos, assistindo-se à secagem completa por longos períodos, superando o expectável no ciclo hidrológico anual, pelo que constituem zonas ambientalmente sensíveis.

Por Anabela Cruces, Diretora da Licenciatura em Engenharia do Ambiente – Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Na relação com a natureza, o Ser Humano implementou transformações para obter/gerir recursos fundamentais, sendo conhecidas modificações aos ambientes naturais, onde a água é um dos recursos presentes. A título de exemplo citam-se alterações do traçado de rios, construção de barragens, drenagem de pauis, de lagos, de lagunas e de interdunares húmidos, numa tentativa de adaptar os ritmos da natureza a um calendário útil às variadas atividades humanas.

As zonas húmidas estão em decréscimo acentuado, a nível global, como consequência das alterações climáticas e do aumento da pressão da utilização dos recursos hídricos, assistindo-se à secagem completa por longos períodos, superando o expectável no ciclo hidrológico anual, pelo que constituem zonas ambientalmente sensíveis.

Nestes sistemas persistem atividades ancestrais herdadas que podem competir com os recursos disponíveis e se a gestão destes ambientes não for integradora pode comprometer-se a sobrevivência de espécies já de si ameaçadas.

É aqui que as universidades e os investigadores podem ter um papel preponderante, dinamizando iniciativas que visem a transferência de conhecimento para a sociedade, que aumentem a perceção dos valores e ameaças presentes no território e conduzam a um sentimento de apropriação das comunidades locais no sentido de se constituírem protetoras e cuidadoras destas áreas ambientalmente sensíveis.

É imperativo ampliar os seus conhecimentos, divulgando, partilhando, capacitando todos os ‘atores’ (comunidades educativas, autarcas e técnicos de administração local, agentes institucionais e do setor empresarial, comunicação social), numa estratégia de grande proximidade auscultando também as expectativas da população para a gestão futura destes ambientes.

Reconhecer a importância destes locais, pode conduzir à mudança de atitudes e ao aparecimento de estratégias que permitam incluir estas zonas no desenvolvimento de novos produtos locais/regionais, diversificando e dinamizando o setor económico, em regiões por vezes social e economicamente debilitadas.

Um maior conhecimento suportará uma escolha mais acertada de estratégias e ações que conduzam à preservação do património natural, da sua valorização e apropriação pela comunidade com consequente promoção de uma região alicerçada nos recursos endógenos, no património natural e na ideia de sustentabilidade.

Porque quem não conhece, não lhe reconhece valor e não protege!