Opiniao

O vício dos conteúdos…

Ainda que não possamos falar em consumo massivo, hoje em dia discutem-se as estreias e os conteúdos que estão em cada plataforma diariamente, as redes sociais falam deles, o digital e não só pulula de entrevistas e artigos sobre os mesmos.

*Diretora Criativa Havas Sports& Entertainment

O sucesso das plataformas de streaming é já um facto conhecido de todos. Sejamos mais ou menos consumidores de Netlfix, HBO, Disney Plus, Amazon ou qualquer outra plataforma, elas vieram para ficar e dados confirmam que o seu consumo em tempos de pandemia e confinamento, naturalmente, incrementou.

Ainda que não possamos falar em consumo massivo, hoje em dia discutem-se as estreias e os conteúdos que estão em cada plataforma diariamente, as redes sociais falam deles, o digital e não só pulula de entrevistas e artigos sobre os mesmos. Hoje em dia todos os grandes atores e realizadores têm parcerias com estas plataformas e é vulgar ver já estas séries a a varrerem os prémios e a mostrarem que são players que não só vieram para ficar, mas estão mais fortes que nunca. 

Com o aumento do consumo e sucesso de cada um destes novos meios vem também o crescente interesse das marcas em perceber como podem marcar presença, não havendo lugar à publicidade convencional. 

O product placement apresenta-se como uma hipótese viável de colocar marcas nas séries e estabelecer parcerias, ainda que de forma soft e sem ser intrusivo para quem vê. Mas há outras soluções que já começaram a ser implementadas com marcas a oferecerem subscrições das plataformas, criando assim uma associação relevante e a pensar no consumidor ou marcas que se associam a séries específicas, usando tudo o que está à volta da plataforma para comunicar e garantindo esta ligação, mesmo sem presença no próprio conteúdo. 

Todas as soluções são válidas para captar o consumidor onde ele está e para garantir que as marcas se posicionam. 
O nosso mercado não ficou atrás e tem também as suas próprias plataformas, sejam elas gratuitas ou com conteúdos pagos, com RTP Play, TVI Player e o mais recentemente anunciado Opto, da SIC. Começaram por repositórios de conteúdos mas hoje tentam aproximar-se das plataformas de streaming quer em layout quer até em modelo de negócio com conteúdos pagos e exclusivos. 

Estas soluções por serem locais podem eventualmente ser uma mais-valia para as marcas no nosso mercado e abrir aqui oportunidade para se fazer algo inovador.

Sabemos bem, contudo, que o segredo do sucesso são de facto os conteúdos e quando falamos nas grandes do streaming, falamos em grandes valores de produção, grandes atores e grandes máquinas por trás de cada sucesso. É esta relevância e a necessidade crescente de entretenimento que torna hoje as plataformas de streaming uma tendência a que devemos estar atentos. 

Ainda que o modelo de negócio passe exatamente por não haver publicidade e por cada um fazer a sua própria grelha de conteúdos, já se falam em possibilidades de as marcas começarem a entrar mais diretamente neste universo…resta saber como e quando, porque ninguém quer estragar a ‘galinha dos ovos de ouro’.

Mas as possibilidades estão aí e as primeiras séries de produção nacional para a Netflix estão a avançar e com oportunidades de introduzirmos marcas na história. Quem vai dar o primeiro passo?

Sabemos bem que a realidade das plataformas de streaming não é uma realidade transversal a toda à população e como tal deve ser olhada com rigor e pensada para o público que faz sentido.

Mas devemos estar atentos ao seu crescimento e garantir que se vamos e queremos inovar é a nossa marca que vai fazer história.