Desporto

'Bronny' James. Sangue real na ponta dos dedos

LeBron ‘Bronny’ James Jr.. O nome não engana. E a forma como lança ao cesto também não. O filho mais velho de LeBron James já é considerado o mais valioso jovem jogador da história (superando o próprio pai). E é apontado como a próxima superestrela da NBA.

Têm o nome em comum: LeBron James. Mas o protagonista desta história não é, ao contrário do habitual, aquele que, nos tempos que correm, conhecido como ‘King’, disputa com nomes como os de ‘Magic’ Johnson, Michael Jordan ou Kobe Bryant o trono de maior jogador de basquetebol da história – mas sim, o seu filho: LeBron ‘Bronny’ James Jr., o mais velho dos três filhos de LeBron, de apenas 16 anos, é considerado o mais mediático (e valioso) jogador de basquetebol de liceu de todos os tempos, superando mesmo a marca do seu pai, que, com a sua idade, também era já um fenómeno de popularidade, e apontado com pontaria como a futura próxima superestrela da NBA.

O embrionário percurso de Bronny James parece, aliás, umbilicalmente ligado à carreira do seu pai, não só pelo talento que já demonstra em tenra idade, mas pelas coincidências que pontuam os momentos-chave das vidas de ambos.

Corria o outono de 2004, e LeBron James, então com 19 anos, apresentava-se à NBA_e ao mundo com as cores dos Cleveland Cavaliers, conquistando, logo nesse primeiro ano, o prémio de rookie da liga norte-americana de basquetebol profissional. Ao mesmo tempo, Savannah Brinson, a sua namorada de sempre (e atual mulher), deu à ‘luz’ Broony, que, nascido sob o signo do sucesso, passou a partilhar com o seu pai cada cantinho que o jogo reserva: as cores, os sons, os cheiros. Os balneários e as quadras. E os quatro anéis de campeão que, ao longo de 17 épocas, LeBron levou para casa – conquistados por Cleveland Cavaliers, Miami Heat e Los Angeles Lakers. Provavelmente, jamais alguém teve melhor professor.

Bronny revelou desde cedo apetência para a prática do desporto, experimentou de tudo, incluindo o ‘nosso’ futebol (ou o soccer deles), mas logo o seu pai colocou os ‘pontos nos is’, riscando do mapa de atividades as modalidades de contacto que pudessem colocar em risco a sua integridade física: como os mui norte-americanos futebol ou hóquei no gelo. E mesmo que o destino tivesse outros planos, restou a Bronny uma bola e um cesto. Aos nove anos, começou a pisar os palcos e a somar pontos. E, desde o início, despertou os olhares de observadores e adeptos, que logo trataram de lhe reservar um lugar num patamar mediático elevado – algo incomum para a idade, mas a criança, diga-se, de comum sempre teve muito pouco.

Hoje com 16 anos (feitos a 6 de outubro), Bronny estuda e joga pela Sierra Canyon School, em Chatsworth, Los Angeles, e começa a justificar as atenções que há muito lhe são dedicadas, não só por ser filho de quem é, mas sobretudo por tudo aquilo que tem vindo a demonstrar (e a confirmar) dentro do campo – superando exemplarmente o que, nesta fase, talvez seja o seu desafio mais difícil: a pressão, a fama e as expectativas desmedidas.

Bronny James apresenta estampa física de respeito (com 1,88 metros e 80 quilos), atua preferencialmente como base ou ala, e enverga o dorsal número 0 (e não o 23 ou o 6 de LeBron ‘King’ James). O seu estilo de jogo, dizem os especialistas, assemelha-se com o do seu pai em muitos aspetos, como o sorriso, as expressões faciais ou mesmo o passo levemente agachado com que palmeia da defesa ao ataque, enquanto dribla. É jogador que sabe pontuar, mas também assistir os colegas. As performances em campo já lhe valeram, aliás, várias ofertas da liga universitária National Collegiate Athletic Association (NCAA), onde terá reservada uma bolsa escolar e desportiva, mas também uma ‘porta de entrada’ para a NBA. Para já, a Duke Blue Devils, a equipa da Universidade de Duke, em Durham, Carolina do Norte, parece estar em vantagem na corrida para a contratação de Bronny.

À sua espera, poderá também estar o seu pai que, admitiu, continua a ‘alimentar’ o sonho de, um dia, poder vir a partilhar o balneário com o seu filho. E por aquilo que se tem visto, esse cenário, aparentemente difícil de se concretizar, pode estar mais perto de acontecer do que nunca. Quem sabe, daqui a dois anos, quando Bronny atingir a maioridade e LeBron tiver somado... 37 anos.

 

Uma marca valiosa

Os números de Bronny James impressionam. Ainda a caminho do topo, a sua ‘marca’ pessoal ultrapassa um valor superior à da maioria da dos jogadores profissionais da NBA, e isso mesmo antes de ter cumprido o seu primeiro jogo ao serviço da sua escola secundária.

Como forma de medir esta realidade, está o facto de Bronny James contar atualmente com quase seis milhões de seguidores na rede social Instagram, um número que supera a maioria dos basquetebolistas com carreiras cimentadas há vários anos: como Kemba Walker, Bradley Beal, Dirk Nowitzki, Khris Middleton, Kyle Lowry, Karl-Anthony Towns, LaMarcus Aldridge ou Victor Oladipo, entre outros.

Antes de poder vir a cruzar-se no campo com alguns destes nomes, Bronny aproveitou a sua popularidade para agarrar outra oportunidade e desenvolver uma das suas paixões: os eSports. Com 300 mil seguidores na plataforma de streaming Twitch, Bronny assinou contrato profissional com a FaZe Clan de Los Angeles, uma das principais equipas de jogos online do mundo, que participa em competições de ‘Call of Duty’, ‘FIFA’ ou ‘Fortnite’. Afinal, Bronny é também apenas um adolescente como outro qualquer.

 

A primeira polémica

Mas viver sob todos os olhares tem, naturalmente, alguns inconvenientes. E Bronny já sentiu na pele o ‘peso’ de errar à sombra de uma juventude escrutinada ao pormenor. Em setembro, o herdeiro de LeBron James foi filmado a fumar aquilo que, à primeira vista, parecia um cigarro de marijuana. O vídeo foi para parar ao seu Instagram, e embora tenha sido apagado minutos depois, a internet voltou a não perdoar, espalhando o registo como um rastilho pelos quatro cantos do mundo. A polémica ‘estalou’, com os fãs a dividirem-se entre ‘advogados’ de acusação e defesa. Bronny, por seu lado, promete riscar o episódio da memória fazendo aquilo que melhor sabe: jogar basquetebol.