Economia

Banco Montepio agrava perdas para 56,8 milhões no terceiro trimestre

Ao abrigo do regime especial de auxílio proporcionado às famílias e às empresas foi concedido 38 mil moratórias que totalizaram 3,2 mil milhões de euros, a clientes particulares e empresas.

O Banco Montepio agravou os prejuízos para 56,8 milhões no terceiro trimestre. Em igual período do ano passado, a entidade tinha registado lucros de 17,7 milhões de euros. De acordo com a instituição financeira, "estes resultados devem-se aos impactos desfavoráveis da pandemia covid-19, que promoveram a necessidade de maior reforço de imparidades e provisões, e levaram à diminuição dos níveis de atividade dos agentes económicos". 

Ao abrigo do regime especial de auxílio proporcionado às famílias e às empresas foi concedido 38 mil moratórias que totalizaram 3,2 mil milhões de euros, a clientes particulares e empresas.

O crédito a clientes (bruto) aumentou 251 milhões até ao final de setembro face ao montante registado no final de 2019. "Esta inversão da tendência de redução é devida à aposta estratégica de crescimento nas PME e no “middle market”, cujo segmento (empresas) registou um incremento de 426 milhões, face a 31 de dezembro", diz em comunicado.

A margem financeira situou-se em 173,1 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2020, face aos 180,4  milhões registados no período homólogo do ano anterior, "incorporando os efeitos desfavoráveis de fatores exógenos induzidos pela pandemia e que determinaram menores níveis de atividade nos clientes particulares e nas empresas, a par da manutenção de taxas de juro de mercado em níveis reduzidos e/ou negativos", salienta.

As comissões líquidas relevadas totalizaram 84,5 milhões, face aos 87,1 milhões registados no período homólogo de 2019, "evidenciando o impacto da redução da atividade económica iniciada no primeiro trimestre, e que se estendeu nos trimestres seguintes devido à pandemia".

Os resultados em operações financeiras ascenderam a 6,7 milhões nos primeiros nove meses de 2020, evoluindo desfavoravelmente face ao valor de 46,9 milhões registado em igual período de 2019, "evidenciando os maiores ganhos não recorrentes na alienação de títulos realizados em 2019 e os menores resultados com derivados contabilizados nos primeiros nove meses de 2020".

Os outros resultados de exploração situaram-se em -10,2 milhões nos primeiros nove meses de 2019, comparando com 1,3 milhões contabilizados no período homólogo de 2019, traduzindo, essencialmente, a relevação em 2019 de ganhos de 9,7 milhões com a alienação de ativos contabilizados ao custo amortizado e de 11,5 milhões com a venda uma carteira de créditos NPL.

Os custos operacionais totalizaram 192,8 milhões nos primeiros nove meses de 2020, face aos 189,7 milhões que haviam sido registados no período homólogo de 2019, "evidenciando os efeitos da atualização salarial e dos investimentos concretizados em renovação e modernização tecnológica no âmbito da transformação digital que o Banco Montepio tem em progresso, apesar das sinergias capturadas na renegociação de alguns contratos, em particular nos custos com consultoria e com conservação e reparação de imóveis", acrescenta a instituição financeira.

A imparidade do crédito contabilizada nos primeiros nove meses de 2020 atingiu 140 milhões, "demonstrando um aumento de 65,9 milhões face ao valor relevado no período homólogo de 2019, incorporando o incremento do risco de crédito determinado pela pandemia e também do reforço dos níveis de imparidade em algumas exposições creditícias que se encontravam em incumprimento".

O agregado das outras imparidades e provisões, relacionadas com outros ativos financeiros, com outros ativos e com provisões, situaram-se em 11,7 milhões nos primeiros nove meses de 2020 e comparam com os 15,1 milhões contabilizados em igual período de 2019, refletindo a evolução do risco de crédito, incluindo instrumentos de dívida, e dos imóveis recebidos em dação.

"O contributo das operações em descontinuação nos primeiros nove meses de 2020, depois de deduzidos dos interesses que não controlam, ascendeu a 5,9milhões, situando-se em linha com o valor apropriado no período homólogo de 2019, não obstante os impactos determinados pelo agravamento do enquadramento económico devido à pandemia e pela descida do rating da República Angolana ao nível das exposições detidas com risco soberano e consequente registo de imparidade adicional", salienta.