Sociedade

"Não podemos deixar de dar respostas à pandemia, temos mesmo que nos concentrar em travar a transmissão"

Ministra da Saúde afirmou que existe uma “pressão no sistema de saúde” e que o cancelamento de atividade não urgente "é uma gestão que tem de ser feita diariamente"

A conferência dada habitualmente para fazer o ponto de situação de Portugal no contexto de pandemia de covid-19 contou apenas, esta sexta-feira, com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido, que falou de pontos como a incidência de casos no Norte do país, do preço por internamento de doente covid-19 em hospital e da vacina da gripe, entre outros.

No que diz respeito aos custos por doente covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e nos hospitais privados, Marta Temido explicou que “em abril de 2020, quando a Administração Central do Sistema de Saúde preparou a primeira convenção extraordinária, não havia casuística de tratamento de covid-19 que permitisse apurar um preço específico. O preço que foi formado foi por aproximação. Não havia ainda histórico. A esta data temos 7 a 8 meses de dados do custo de tratamento de doentes covid-19 no SNS e foi com base nisso que se fez a revisão do preço”.

Tendo por base esse custo, os preços da convenção foram modificados, o que aumentou um dos preços e desdobrou o outro: “tínhamos um preço por internamento de doente covid-19 em hospital não SNS de 1.962 euros. Neste momento passou para 2.495 euros”, afirmou.

Se falarmos em preço de internamento em cuidados intensivos, que antes era fixo independentemente do tempo do internamento, foi repartido em dois: “um para a ventilação inferior a 96 horas e um para superior a 96 horas”, ou seja, 6.036 euros e 8.431 euros, respetivamente.

“Estamos a falar só de preços para doentes covid, não houve qualquer alteração para doentes não covid. Esta alteração que houve foi no sentido de tornar as convenções mais atrativas para os prestadores e assim melhorar aquilo que era a nossa dificuldade em ter respostas para doentes covid”, referiu a ministra.

Marta Temido disse ainda que existem hospitais na Grande Lisboa “a cancelar alguma atividade”. “É uma gestão que tem de ser feita diariamente”, afirmou.

“O ministério emitiu um despacho destinado a permitir que as unidades locais e regionais façam uma avaliação da eventual necessidade de cancelar a atividade não urgente”, explicou. “Estas decisões têm de ser tomadas em cada semana, de acordo com a pressão da covid-19 e das responsabilidades dos hospitais noutras patologias”, prosseguiu.

 “O panorama do país não é todo igual. Aquilo que estamos a tentar fazer é, ao mesmo tempo que sofremos a segunda vaga, aumentar a capacidade e garantir que as respostas não covid são encaminhadas para outro setor”, apontou a responsável.

Na conferência de imprensa, Marta Temido garantiu que “não há ninguém que queira tanto a remarcação de consultas, cirurgias como o SNS. Mas como não podemos deixar de dar respostas à pandemia, temos mesmo que nos concentrar em travar a transmissão", disse quando questionada sobre a atividade não urgente das unidades de saúde.

Fazendo um balanço dos números relativos à covid-19 divulgados hoje – houve a registar mais 6.653 novos infetados e 69 óbitos – a governante explicou que, para além de a região Norte ser a mais afetada, com 1.126 casos por cada 100 mil habitantes, é também a região que “enfrenta maior número de casos e maior pressão nos serviços de saúde”.

Marta Temido afirmou que no Norte está a ser preparado um conjunto de respostas ao setor, explicando que região está ainda “ a fechar acordos com mais duas entidades: grupo Trofa (20 camas disponíveis) e Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso (40 camas)”, afirmou.

“A Fundação de Ensino e Cultura Fernando Pessoa já disponibilizou 45 camas para doentes Covid, o Hospital das Forças Armadas tem 40 camas para doentes Covid e o Hospital Cuf Porto disponibilizou à ARS do Norte 8 camas”, o que faz um total de 93 camas. 

A ministra adiantou que o risco efetivo de transmissão da doença, o RT, “está a baixar muito lentamente”, fixando-se agora nos 1.11, um “valor que deve ser lido com muita prudência, é uma variação muito pequena”.

“Vai demorar tempo, vão demorar semanas depois de atingirmos o pico da doença a sentirmos uma diminuição na procura dos hospitais e ainda mais semanas a sentir-se uma diminuição daquilo que é a letalidade”, disse, explicando que “seria irresponsável abrandar o esforço” no combate à pandemia.

Marta Temido fez, então, questão de deixar três notas nesta conferência de imprensa: a primeira foi a de que é preciso “sublinhar que estamos a passar a segunda onda da pandemia e é uma situação comum a quase todos os países europeus”, a outra refere-se à preocupação crescente do número de óbitos, referindo-se à “pressão no sistema de saúde”, a última nota dirige-se aos profissionais de saúde que, a ministra da Saúde, admite saber que “estão cansados”, mas que “podemos contar com eles”.

A ministra da Saúde abordou ainda a questão da vacina da gripe, que não vai chegar para todos, afirmando que “só deve tomar a vacina quem tiver indicações”. “Tivemos este ano uma procura para a vacina da gripe sazonal como nunca; estimamos que haja 1,4 milhões de pessoas vacinadas”, apontou.

Em conclusão, sobre a pandemia de covid-19, Marta Temido aproveitou para chamar “a atenção que a situação no país é grave”, reforçando que é preciso que todos cumpram as medidas de proteção contra o novo vírus.