Economia

Mais de 80% das empresas estão descontentes com programas de apoio

Inquérito da CIP revela ainda que 49% das empresas inquiridas considera que as novas medidas anunciadas pelo Governo são insuficientes.

Mais de metade das empresas portuguesas - 58% - consideram que os programas de apoio do Estado estão aquém do que é preciso e 25% consideram que estes apoios estão muito aquém do que é preciso. Assim, no total, mais de 80% das empresas consideram que são precisas mais ajudas do Estado. O valor agravou-se face ao mês anterior. Esta é uma das conclusões do inquérito mensal da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em conjunto com o ISCTE, sobre expetativas das empresas e avaliação do combate à pandemia. 

Além destes valores, 49% das empresas inquiridas consideram que as novas medidas anunciadas pelo Governo são consideradas insuficientes, enquanto 24% defende que são demasiado restritivas. No entanto, as medidas avaliadas pelos empresários são as que se conheciam até à realização do inquérito, entre 6 e 11 de novembro. Assim, “não estarão refletidas na totalidade as restrições ao abrigo do novo estado de emergência”, que entrou em vigor no dia 9, explicou aos jornalistas Pedro Esteves, professor do ICSTE.

O inquérito revela ainda que a grande maioria das empresas estão a contar manter os postos de trabalho num futuro próximo, mas 21% admitem diminuir o número de trabalhadores.

Estes valores mostram um agravamento de quatro pontos percentuais face ao mês anterior, em que apenas 17% dos inquiridos admitiam cortes nos trabalhadores. Segundo Óscar Gaspar, vice-presidente da CIP, a “destruição de emprego” numa crise como esta “é inevitável” e, por isso, diz serem necessárias “medidas específicas” para apoiar o emprego. 

No entanto, Óscar Gaspar defende que o facto de grande parte das empresas pretenderem manter ou reforçar os trabalhadores mostra “um esforço acrescido”. No que diz respeito ao financiamento bancário, da amostra de empresas que já pediram esse financiamento, 92% já o receberam.

O inquérito revela também que o número de empresas respondentes em pleno funcionamento se manteve nos 86%, e o número de empresas fechadas encontra-se em apenas 1%.Em outubro, 68% dos inquiridos reportaram expetativas de quebra da faturação em novembro e dezembro, com uma redução média de 40% face ao período homólogo. 

No entanto, há 10% que preveem aumentar as vendas, com valores médios de crescimento de 22%.No caso das previsões de vendas e prestação de serviços para os últimos dois meses do ano, 68% dos empresários consideram que o volume de negócios vai cair 40%, um agravamento face ao inquérito anterior.

Os dados da CIP acrescentam ainda que, de uma forma geral, as encomendas em carteira destas empresas estão a diminuir em mais empresas do que naquelas em que estão a aumentar.