Viver para Contar

Uma monstruosidade institucionalizada

No Reino Unido, há um Centro especializado em menores que apresentem sinais de transexualidade. Os pais levam as crianças a esse Centro e eles prescrevem o ‘tratamento adequado’.

A quase totalidade dos partidos e organizações de esquerda diz-se ambientalista, critica a urbanização selvagem, defende tudo o que é natural, opõe-se à manipulação genética de alimentos, rejeita a plantação de espécies não autóctones, mesmo as que existem há muitos anos em determinadas regiões. Ainda hoje, por exemplo, são contra a plantação de palmeiras em Portugal (e tiveram recentemente a grande ajuda de um escaravelho que as dizimou em massa).

Para os ambientalistas, todas as intrusões na natureza são criticáveis, tudo o que seja contrariar a natureza é mau, deve deixar-se a natureza seguir o seu livre curso.

Tendo isto em conta, é inexplicável que, quando está em causa a natureza humana, essas organizações defendam exatamente o contrário. Aplaudam intrusões profundas na natureza, manipulações genéticas, intervenções no processo de desenvolvimento natural dos seres humanos; admitam transformações artificiais de homens em mulheres e de mulheres em homens, através de cirurgias brutais que compreendem ablações de pénis, construção de falsas vulvas, implantação de seios artificiais.

E, se tudo isto já era suficientemente horrível em adultos, é monstruoso quando é feito em crianças. No número de setembro da revista Acção Médica, que um professor de medicina me fez chegar, leio um artigo aterrador de Nicolas Cárdenas.

Aí se diz que, no Reino Unido, o número de crianças submetidas a um tratamento a que dão o nome de ‘hormonização cruzada’ – que altera a definição sexual inscrita nos genes, modificando o fenótipo –, aumentou 1000 por cento (mil por cento) entre 2010 e 2015!

Existe um centro pertencente ao Serviço Nacional de Saúde britânico, chamado Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género (o nome já não induz nada de bom…), cuja sigla em inglês é GIDS, especializado em menores que apresentem sinais de transexualidade. Os pais levam os filhos a esse Centro e eles prescrevem o ‘tratamento adequado’.

Sucede que o processo de definição de ‘identidade de género’, é em si mesmo muito discutível, é frequentemente feito de forma apressada e não cumpre todos os passos prescritos pelo próprio Centro. Houve casos em que, após uma única entrevista, foi desencadeado o processo de bloqueio do desenvolvimento sexual natural da criança. Segundo a BBC, estas irregularidades levaram 40 profissionais a abandonar o Centro nos últimos três anos.

Abigail Shreier, jornalista do The Wall Street Journal, escreveu um livro intitulado Dano Irreversível: a Loucura Transgénero Que Seduz os Nossos Filhos, onde afirma que, numa percentagem muito elevada de casos de ‘disforia de género’, o desejo de mudar não vem da criança mas de influência externa.

Ora, a Amazon proibiu a publicidade ao livro, dizendo tratar-se de matéria enganosa. A autora reagiu: «Podes promover a ideologia de género mas não a podes questionar».

Além destes sinais de censura, há casos de arrependimento que são silenciados. Em março, uma jovem chamada Keira Bell, que iniciou aos 16 anos um programa de ‘hormonização’, acusa o GIDS de não a ter esclarecido cabalmente sobre o passo que ia dar, nem lhe ter feito todas as perguntas necessárias para determinar a identidade de género. E hoje está arrependida do processo em que se envolveu.

Mas as suas críticas foram apagadas. Segundo ainda a BBC, a direção do GIDS deu instruções aos funcionários para «não falarem aos pacientes em garantias e muito menos levarem as suas queixas ao departamento de serviços sociais ou a organizações similares».

Walter Heyer, que viveu muitos anos como mulher, tendo sido submetido a mutilação genital, desdobra-se hoje em iniciativas para contrariar as ideias feitas nesta questão. Afirma que não existem «evidências sólidas de uma base genética transexual».

Mas mesmo transexuais não arrependidos contestam os programas hormonais aplicados em crianças. Scott Newgent, por exemplo, diz que a ‘hormonização cruzada’, em especial em idades infantis, bloqueando o desenvolvimento sexual normal, provoca problemas que podem terminar em cadeiras de rodas ou na morte antes dos 50 anos.

Como os meus leitores sabem, tratei este tema da transexualidade há uma semana, a propósito da transformação em mulher do pastor do anúncio ‘Tô Xim’. Quando escrevi, desconhecia porém algumas monstruosidades que este artigo relata. Parece que estamos num mundo louco, de ficção científica. E, pior do que isso, parece que ninguém estranha o que está a acontecer.