Sociedade

Na maioria dos recentes casos de covid-19 não se sabe onde foi a infeção

Ministra da Saúde revelou ontem que só em 25% dos casos no Norte se conseguiu identificar contexto de transmissão. A DGS também clarificou ao i a informação neste momento disponível.

A ministra da Saúde revelou ontem numa entrevista ao podcast do PS Política com Palavra que os dados recolhidos nos inquéritos epidemiológicos apenas conseguiram conhecer o contexto de contágio em 25% dos casos na região Norte, onde no último mês onde se viveu um maior aumento de casos de covid-19 e maior dificuldade na realização de inquéritos. A informação surge depois de na semana passada o primeiro-ministro ter divulgado um gráfico que indicava que em 68% dos casos, os contágios ocorrem em convívios familiares ou sociais, 12% em meio laboral, 8% em lares, 3% nas escolas, 3% no convívio social e 1% nos serviços de saúde. O gráfico em causa viria a suscitar críticas nas redes sociais, pelo somatório não dar 100%. Ao Polígrafo, que abordou a polémica, o Ministério da Saúde respondeu que os 5% em falta no gráfico correspondiam a situações em que “o link epidemiológico e o contexto da infeção é desconhecido”.

Depois desta informação, o i pediu um esclarecimento à Direção Geral da Saúde, uma vez que a última indicação a meio de outubro foi de que, na altura, 59% dos casos detetados no país tinham ligação epidemiológica conhecida, com 41% dos casos sem esse link. Um mês depois, com uma maior incidência de doença e relatos de maior demora na realização de inquéritos epidemiológicos, a redução para 5% parecia sinificativa. E resposta ao i, a DGS clarificou a que dizem respeito os valores, numa resposta que indica que os casos sem ligação epidemiológica estabelecida são a esta altura superiores.. “Na última semana, dentro das notificações médicas com informação sobre o link, 66% tinham link epidemiológico. Na região Norte, 63% tinham link epidemiológico e na região de Lisboa e Vale do Tejo essa percentagem era de 67%”, explicou a DGS. Assim, das notificações feitas pelos médicos, que não incluem as notíficações laboratoriais (que têm de ser sujeitas a avaliação e inquérito epidemiológico), um terço dos casos não têm ligação epidemiológica estabelecida. O i tentou perceber, somando todos os casos, quantos não têm relação epidemiológica estabelecida, aguardando resposta. Na região Norte, a ministra da Saúde referiu no entanto o valor de 25%.. Quanto aos 5% no gráfico apresentado pelo primeiro-ministro, a DGS explica que dizem respeito “a casos em que o link epidemiológico é conhecido, mas a informação disponível não permite identificar o contexto. Ou seja, acontece quando a notificação refere que existe link (um contacto com uma pessoa com sintomatologia sugestiva de COVID-19), mas o campo para especificar o tipo de ligação (laboral, familiar, entre outras) se encontra em branco ou incompleto.”

Depois de atrasos na realização de inquéritos no último mês, a ministra da Saúde garantiu que na região Norte houve já a mobilização de militares para dar apoio às equipas.. “Os inquéritos epidemiológicos estão a ser feitos com a maior rapidez possível e são da responsabilidade das equipas de saúde pública dos respetivos ACES”, garantiu também ao i a Direção Geral da Saúde.