Internacional

Casa Branca investigada por trocar perdões por doações financeiras

A investigação foi revelada após Trump conceder um perdão a Michael Flynn, suspeito de facilitar interferência russa.

A Casa Branca está a ser alvo de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por um suposto esquema de subornos, que incluiria pedidos de doações para campanhas políticas em troca de indultos presidenciais.

A investigação foi revelada num documento judicial, altamente cortado, partilhado pela juíza distrital Beryl Howell, onde se podia encontrar uma explicação pouco detalhada de como o alegado esquema funcionaria.

No documento, os investigadores afirmavam ter provas de que alguém “oferecera uma contribuição política substancial em troca de perdão presidencial ou suspensão da pena”.

No documento, foram cortados nomes dos envolvidos e de possíveis suspeitos que estão sob investigação das autoridades. Mas, segundo uma fonte da Reuters no Departamento de Justiça, nenhum responsável da Administração de Donald Trump está ou esteve sob investigação.

O documento censurado explicitava que duas pessoas não identificadas estavam a trabalhar como lobistas junto de responsáveis da Casa Branca, sem que esse trabalho estivesse registado de forma transparente, como obriga a Lei de Divulgação de Lobby, e como tal, estão a ser investigados pelo envolvimento num possível “esquema secreto de lobbying”.

Os investigadores tiveram de pedir permissão à juíza Howell para ler e-mails trocados entre um advogado e seus clientes. Esta acedeu ao pedido em agosto, argumentando que, neste caso, o sigilo entre advogado e cliente não se aplicava.

Esta notícia surge após o Presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, ter concedido um perdão total ao seu antigo colaborador Michael Flynn, que durante a campanha presidencial de 2016 foi uma figura central nas alegações de interferência russa.

Além disso, ontem Trump discutiu com os seus conselheiros e equipa legal a hipótese de conceder um perdão antecipado aos seus três filhos mais velhos, Donald Trump Jr., Eric Trump e Ivanka Trump, bem como ao genro, Jared Kushner, e ao seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, revelou o New York Times.

Apesar de Donald Trump Jr. nunca ter sido formalmente acusado, foi alvo de uma investigação por alegados contactos que manteve com russos, que terão passado informações prejudiciais a Hillary Clinton durante a campanha de 2016.

Meios de comunicação norte-americanos consideram que esta “prevenção” também se pode dever a deduções fiscais irregulares que beneficiaram Ivanka. Já no caso de Giuliani, este foi alvo de uma investigação devido a negócios na Ucrânia e pelo seu envolvimento no afastamento da embaixadora norte-americana neste país, durante o processo de impeachment.