Opiniao

O novo Natal e o novo consumo

Mas publicidade à parte como se vai comportar o consumidor nesta época com este novo contexto? Com uma crise já instalada qual o impacto que isto irá ter nas habituais prendas? Com as lojas cheias de restrições de horários onde vão comprar os portugueses?

Em ano de pandemia a grande incógnita é agora o Natal.

Já sabemos que não vai ser igual embora algumas constantes se mantenham. Por um lado temos as habituais campanhas de Natal que a todos emocionam (uns mais que outros) e que lançam sempre o debate sobre qual o melhor spot.

Este ano o pano de fundo da pandemia existe e vai tocando todas as criatividades de formas diferentes procurando sempre destacar o lado mais humano, de união e de família, mesmo em tempos difíceis.

Mas publicidade à parte como se vai comportar o consumidor nesta época com este novo contexto? Com uma crise já instalada qual o impacto que isto irá ter nas habituais prendas? Com as lojas cheias de restrições de horários onde vão comprar os portugueses?

Sabemos que durante a pandemia o e-commerce disparou com as pessoas a comprarem mais online quer por questões de comodidade, segurança, mas também por falta de opção física muitas vezes. Apesar da abertura das lojas muitos continuam a apostar nesta possibilidades pelos motivos mencionados e até pelo lado mais pragmático.

Esta tendência crescente fez com que algumas marcas que nunca venderam online arranjassem soluções – quer com canais próprios quer através de parcerias – para conseguirem continuar a vender e a subsistir. É certo que para muitas marcas foi compensatório e para aquelas que já eram muito maduras no digital o embate foi bastante menor e o switch para online já estava feito.

Mas o e-commerce seguramente não compensa as perdas gigantes que as lojas físicas estão a sentir. E no Natal em que há claramente um pico de vendas, o contexto de recolher obrigatório, de medo e até de crise não auguram nada de bom para muitas marcas. Principalmente se pensarmos em comércio tradicional ou lojas mais de rua que perdem os seus clientes e não têm escala, possibilidade ou estrutura para dar resposta às novidades da pandemia.

Também por isto o Natal vai ser diferente. A rua de Santa Catarina e a rua Augusta não se vão encher de pessoas, de cheiros, de luzes e de ambiente natalício; as tradições de ir ver as luzes ou até ir simplesmente lanchar à baixa também não vão acontecer.

Mas precisamos de esperança e de fé …e nada melhor que o Natal para as recuperarmos dentro de nós. Os hábitos podem ser outros, as compras também e as reuniões familiares também, mas dentro de nós o espírito natalício deve estar bem vivo. E deve ser o início de melhores tempos.

Usemos este espírito para animar, para nos adaptarmos e para enchermos a alma de paciência mais um pouco… porque o Natal de sonho, esse ninguém nos tira.

 

*Diretora Criativa Havas Sports
& Entertainment