Sociedade

Pfizer vai entregar menos 20% das vacinas previstas para o primeiro trimestre do ano

No entanto, vacinas podem chegar mais cedo do que o previsto. Conheça aqui alguns detalhes do plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal.

O coordenador da task force para o Plano de Vacinação covid-19, Francisco Ramos, revelou esta quarta feira na Assembleia da República que a Pfizer não vai entregar a Portugal as quantidades de vacinas estabelecidas para o primeiro trimestre.

“A Pfizer não conseguirá cumprir e temos uma redução de 20% da quantidade prevista para o primeiro trimestre", disse o coordenador, em audição no Parlamento, começando por dizer que se tratava de uma “má notícia”. “Tanto quanto sei, este incumprimento ocorre a nível europeu”, acrescentou.

No entanto, Francisco Ramos apontou um “fator positivo”: uma vez que na terça-feira a Agência Europeia do Medicamento (EMA) antecipou a reunião do Comité de Uso Humano de Medicamentos, na qual poderá ser aprovada a vacina da Pfizer-BioNTech para dia 21 de dezembro, as vacinas podem chegar mais cedo do que o previsto. Se a empresa entregar as vacinas três dias depois, Portugal receberá o fornecimento mesmo que aconteça na noite de Natal.

A distribuição

A cadeira de distribuição da vacina já está montada e pronta a ser acionada no momento em que chegue aos três pontos de entrega: um no continente e os restantes no arquipélago dos Açores e no da Madeira. Ora, a distribuição será feita “através de organizações e por instrumentos certificados e licenciados para a distribuição de medicamentos”, e não pelas Forças Armadas.

O coordenador da task force explicou que o armazenamento a 70 graus negativos é apenas necessário nos locais de entrega e armazenamento das doses. A vacina pode aqui permanecer durante seis meses e, quando sair, ficar durante 30 dias nas caixas térmicas que o fabricante disponibilizou.

“Depois de abertas as caixas, há cinco dias para serem administradas as vacinas que contêm e aí as condições de conservação exigidas são frigoríficos semelhantes aos frigoríficos domésticos”, clarificou. Para Francisco Ramos, o essencial é que “a cadeia de distribuição seja ágil para que as vacinas não andem a passear por Portugal, mas que saiam do seu ponto de armazenamento para o seu destino e sejam administradas rapidamente às pessoas”.

A administração da vacina

Em relação à administração da vacina, segundo o plano de vacinação, não se espera que estejam envolvidos mais do que 20% dos enfermeiros dos centros de saúde no processo.

As normas de administração serão divulgadas esta semana, os consumíveis [seringas, agulhas…] estão previstos e a segurança do processo está assegurada pelas nossas forças de segurança”, adiantou Francisco Ramos.

A vacina contra a covid-19 será voluntária, uma vez que para o coordenador, “seria um enorme erro torná-la obrigatória, com todas as consequências sociais, sociológicas e psicológicas que isso acarretaria”.

Segundo uma sondagem da Universidade Católica, apenas 61% dos portugueses se declaram disponíveis para serem vacinados assim que for possível, portanto Francisco Ramos explica que está a ser preparada uma campanha para “reforçar a confiança dos portugueses na vacina”. No entanto, existem “números animadores”: menos de 10% se recusa a tomar a vacina. “Quem recusar tomar a vacina deve ser respeitado, seja profissional de saúde ou seja quem for”, sublinhou.

A identificação de pessoas com mais de 50 anos de idade que apresentam doenças de maior risco e, por isso fazem parte dos grupos prioritários juntamente com a par dos profissionais de saúde, os idosos e funcionários dos lares já está a ser feita, mas as pessoas ainda não foram chamadas porque “não houve ainda nenhuma certeza” em relação à data de chegada das vacinas, disse o coordenador esta manhã no Parlamento. Francisco Ramos garantiu ainda que a administração da vacina será feita atempadamente, a um ritmo de 50 mil inoculações diárias, e não irá “prejudicar a atividade não relacionada com a covid” nos centros de saúde.