Economia

Pandemia leva défice a 4,9% do PIB até setembro

No terceiro trimestre, o défice situa-se em 3,8% do PIB. INE diz ainda que empréstimo à TAP tem impacto para o défice.

A pandemia de covid-19 afetou a economia portuguesa e levou a que o défice orçamental do terceiro trimestre deste ano se situasse em 3,8% do produto interno bruto (PIB). No total dos primeiros nove meses de 2020, o défice cresceu para 4,9%. Os dados foram divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) reduziu-se em 2,1 p.p. no ano terminado no 3.º trimestre de 2020, representando uma necessidade de financiamento de 4% do PIB. Tomando como referência valores trimestrais e não o ano acabado no trimestre, o saldo das AP no 3.º trimestre de 2020 atingiu -1.975,6 milhões de euros (-3,8% do PIB, o que compara com -10,5% no trimestre anterior)”, diz o gabinete de estatística.

Já o Governo, segundo o relatório do Orçamento do Estado para 2021, estima que o saldo orçamental este ano seja um défice de 7,3% do PIB.

O INE revela ainda que o empréstimo à TAP vai ter impacto no PIB como, aliás, já era esperado pelo Governo. No conjunto do ano, o impacto orçamental estimado é de 0,57% do PIB. No entanto, o número final vai depender da evolução da economia no último trimestre deste ano.

“O aumento da despesa de capital reflete o registo, com base na informação disponível, do apoio financeiro concedido pelo Estado à TAP, S.A. no valor de 1.200 milhões de euros como transferência de capital”, lê-se no documento divulgado pelo INE.

O gabinete de estatística esclarece ainda que “este montante corresponde ao valor total do compromisso assumido pelo Estado para financiamento da empresa, autorizado pela Comissão Europeia como auxílio de Estado, tendo em conta a situação de emergência financeira da empresa”.

 

Outros dados Os dados divulgados pelo INE mostram ainda que a capacidade de financiamento da economia reduziu-se no ano acabado no 3.º trimestre deste ano, tendo passado de 0,9% do PIB no trimestre anterior para um valor aproximadamente nulo.

“O Rendimento Disponível Bruto (RDB) e o PIB nominal diminuíram 0,9% e1,0% no ano acabado no 3º trimestre de 2020 (-2,8% e -3,3% no trimestre anterior, respetivamente)”, detalha o INE.

Ainda no que diz respeito a este período, a capacidade de financiamento das famílias cresceu 0,3 p.p. para 4,3% do PIB e a taxa de poupança chegou aos 10,8%, quando tinha sido de 10,5% no trimestre anterior. “Este resultado refletiu o aumento de 0,4% do RDB e uma variação nula do consumo privado”, lê-se no documento.

Já o saldo das sociedades não financeiras cresceu 1,0 p.p neste período fixando-se em -2,2% do PIB, “refletindo sobretudo a redução do Imposto sobre o Rendimento e da Formação Bruta de Capital em 19,6% e 2,4%, respetivamente”. A capacidade de financiamento das sociedades financeiras estabilizou em 1,9% do PIB.