Internacional

NASA abateu 27 macacos no seu centro de investigação e gera controvérsia

Primatas tinham problemas de saúde e estavam envelhecidos

A NASA abateu 27 macacos que mantinham em laboratório num só dia, em 2019, noticiou o The Guardian, que teve acesso a documentos confidenciais.

O abate terá acontecido no dia 2 de fevereiro do ano passado com recurso a medicamentos, no centro de investigação em Vale do Silício, na Califórnia. De acordo com os documentos, 21 dos primatas tinham Parkinson.

Recorde-se que a NASA já trabalha com macacos há vários anos, por exemplo, em 1961 o chimpanzé Ham recebeu treino diário antes de se tornar o primeiro grande macaco a ser lançado ao espaço.

No entanto, estes 27 macacos mortos no ano passado pela agência espacial não foram utilizados para qualquer investigação ou missão espacial. Ficaram alojados na NASA apenas a propósito de um acordo com a LifeSource BioMedical, que faz investigações para medicamentos e tem um espaço alugado no centro de investigação, onde abrigou os primatas.

A chefe-executiva da LifeSource BioMedical, Stephanie Solis, explicou que os primatas foram dados ao laboratório por falta de um santuário que os acolhesse dada a idade avançada dos animais e os seus problemas de saúde. “Concordámos em aceitar os animais, funcionando como um santuário e fornecendo todos os cuidados às nossas próprias custas, até que a idade avançada deles e o declínio do estado de saúde resultassem na decisão de os sacrificar para evitar um má qualidade de vida”, afirmou.

Já vários ativistas pelo bem-estar animal reagiram a esta notícia, dizendo precisamente que deveriam ter sido transferidos para um santuário para, evitando o abate.

Citado pelo The Guardian, John Gluck, especialista em ética animal na Universidade do Novo México, admite achar estranho os primatas não serem “considerados dignos de uma oportunidade de viver no santuário". "Nem mesmo uma tentativa? Eliminação em vez de uma expressão de simples decência. Que vergonha para os responsáveis”, apontou.

Gluck afirmou que os macacos “estavam a sofrer as privações e frustrações etológicas inerentes à vida de laboratório”.

Kathleen Rice, representante da Câmara dos Estados Unidos, exige uma explicação para as mortes num texto que enviou a Jim Bridenstine, administrador da NASA.

"Aguardo uma explicação do administrador Bridenstine a explicar a razão para esses animais terem sido forçados a definhar em cativeiro e serem sacrificados em vez de viverem as suas vidas num santuário", disse.