Economia

Galp. Sindicato quer travar fecho de refinaria e convoca plenário

Fiequimetal acusa Governo de estar “obcecado” em cumprir as metas energéticas e de querer “a qualquer custo mostrar a Bruxelas que é o melhor aluno”. Sindicato lembra que trabalhadores geraram só no último ano 577 milhões que foram distribuídos aos acionistas.

A Fiequimetal considera que é urgente travar o encerramento da refinaria da Galp, em Matosinhos e convocou plenário com os trabalhadores para a próxima quarta-feira às 14h30 e que conta com a presença de Isabel Camarinha. Também já foram pedidas reuniões ao primeiro-ministro e à administração da empresa.

“Além das reuniões com os ministérios, os representantes dos trabalhadores bateram a todas as portas e suscitaram reuniões com os grupos parlamentares (à exceção do CDS e PAN, que ainda não estiveram disponíveis, estando já agendada reunião com o PSD para 7 de Janeiro). Foram também realizadas reuniões com os municípios e com as entidades regionais”, refere num comunicado a que o i teve acesso. 

De acordo com a estrutura sindical, a decisão de encerramento da atividade “põe em causa cerca de 500 postos de trabalho diretos e mais de mil referentes a trabalhadores das empresas de prestação de serviços (outsourcing), de muitas micro, médias e pequenas empresas que produzem bens e serviços para a Petrogal (algumas em regime de exclusividade). E também estão ameaçados muitos postos de trabalho na refinaria de Sines e na sede, em Lisboa”, afirma. 

Obsessão para transição energética

A Fiequimetal também aponta o dedo ao Governo. “Na obsessão de cumprir com distinção as orientações da União Europeia para a transição energética, o Governo não olha a meios e pretende, a qualquer custo, mostrar a Bruxelas que é o melhor aluno”. E acrescenta: “Depois da decisão de encerrar as centrais elétricas de Sines e do Pego já em 2021 (que era previsível que viesse a ocorrer, sem esta pressa toda, até 2030), o Governo ignorou todos os alertas e preocupações que a Fiequimetal, o SITE Norte, o Sicop e a Comissão de Trabalhadores manifestaram e decidiu, uma vez mais, dar continuidade à destruição da economia local e nacional, do emprego e das condições condignas da vida de milhares de famílias”.

Segundo as contas do sindicato, os trabalhadores geraram só no último ano 577 milhões de euros que foram distribuídos aos acionistas. “A recompensa não pode ser o desemprego”, alerta. 

Encontrar soluções

A Galp já revelou que vai “continuar a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos”, e que está a “desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”.

Segundo a petrolífera, as “alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos motivados pelo contexto regulatório e pelo contexto covid 19 originaram um impacto significativo nas atividades industriais de downstreaming da Galp”, e afirma que “o aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão”.

Também o ministro do Ambiente e da Transição Energética já veio admitir que o Governo está preocupado com o destino dos trabalhadores e que garantiu que está “disponível” para, caso a Galp e os trabalhadores “entendam”, participar naquilo que é um “destino justo para o futuro destes trabalhadores que vão ser afetados pela decisão”, disse o ministro, justificando que “há fundos” para este fim.