Opinião

A cultura em Portugal está a colapsar!

Os números não enganam. O cinema apresenta de janeiro a novembro uma quebra em período homólogo de 74,2% (fonte ICA). Os museus e monumentos nacionais apresentam, de janeiro a outubro, uma quebra de 74% (fonte DGPC). A Ticket Line apresenta (de janeiro a novembro) uma quebra de 75%, sendo de março a novembro de 90% (fonte Ticket Line). 

O setor cultural tem sido o mais fustigado pela pandemia da covid-19. A segunda vaga liquidou de vez quaisquer expectativas de recuperação do setor, ou mesmo de sobrevivência para milhares de trabalhadores e pequenas e médias empresas.

Em março, tal como grande parte das empresas, a Cultura viu a sua atividade proibida. Na retoma, em maio/junho, o setor cultural foi autorizado a retomar em parte da sua atividade. Uma pessoa por cada 20m2 nos museus e exposições e uma lotação de até 50% em salas de espetáculos. Uso de máscara obrigatório, lugares sentados e marcados. Mas a larga maioria dos eventos permaneceu proibida até hoje, o que conduziu a uma quebra significativa de atividade, que vai ultrapassar os 80% nos 12 meses do ano.

Festivais, festas e romarias em todo o país mantêm-se proibidas. Obviamente na forma como os conhecemos. E, neste mês de dezembro, talvez o mais importante do ano em volume de trabalho, o colapso foi total. As festas de Natal, a passagem de ano, espetáculos infantis, concertos, teatro, bailado, quase nada aconteceu em todo o país. Até as vendas daquele que era o presente nº1 - bilhetes para eventos culturais, apresenta vendas baixas pela falta de oferta e incerteza.

Os números não enganam. O cinema apresenta de janeiro a novembro uma quebra em período homólogo de 74,2% (fonte ICA). Os museus e monumentos nacionais apresentam, de janeiro a outubro, uma quebra de 74% (fonte DGPC). A Ticket Line apresenta (de janeiro a novembro) uma quebra de 75%, sendo de março a novembro de 90% (fonte Ticket Line). A Fnac, a maior bilheteira do país, apresenta uma quebra de 74% (de janeiro a novembro). Um inquérito feito pela APEFE aos promotores privados indica uma quebra de 87% de janeiro a outubro. A quebra de cobrança de direitos de autor de música ao vivo também apresenta uma quebra acima dos 80% de janeiro a dezembro.

Assim tudo aponta para um colapso no setor cultural que emprega mais de 130 mil pessoas (fonte INE).

Artistas, técnicos, profissionais dos espetáculos, autores, produtores, promotores, salas privadas, empresas de audiovisuais e equipamentos, etc, estão sem trabalho há meses.

Por oposição a outros setores, a Cultura não funciona em teletrabalho ou take-way, não pôde aproveitar o fluxo turístico do verão e foram os primeiros a ver o Natal e passagem de ano cancelados.

É chegado o momento de os decisores políticos dizerem o que querem para Portugal no que respeita à Cultura e às manifestações Artísticas, enquanto fatores capitais e determinantes para a vida de cada indivíduo e enquanto fatores de coesão e de progresso da sociedade e dos cidadãos.