Sociedade

Alunos levam mantas para as salas de aula para se protegerem do frio

Falta de condições em algumas escolas de Serpa, no distrito de Beja, tem motivado críticas entre pais.

Um casaco quente, com capuz na cabeça, uma ou várias mantas sobre os ombros e os joelhos, e muitos pares de meias para aquecer os pés: é assim que alguns jovens têm frequentado as aulas na escola, para resistir ao frio que se tem feito sentir nos últimos dias. Um problema que não é de agora, mas que se terá agravado por causa do arejamento necessário das salas de aula devido à pandemia de covid-19. No que diz respeito aos estabelecimentos de ensino com piores condições, são várias as queixas de encarregados de educação nas redes sociais, nas quais relatam estratégias que os alunos usam para escapar às baixas temperaturas. Ao i, a mãe de uma aluna que frequenta a Escola Básica de Vila Nova de São Bento, no concelho de Serpa, contou que várias crianças levam mantas para as salas de aula.

“A minha filha leva. Ela e mais colegas da sala. Não é só ela. Já há pelo menos quatro alunos da sala a levar. E alguns, por timidez e vergonha, não levam. Mas vergonha é passar o frio que eles passam nas salas de aula, que é por vezes bem pior do que estarem na rua no recreio”, começou por sublinhar, reforçando o facto de a escola precisar de melhores condições para os alunos poderem lidar com o frio.

“Já no meu tempo, a mantinha era sagrada no inverno. As próprias salas em si são um gelo e não têm grandes condições. Os anos passam e não fazem nada. As escolas deveriam, pelo menos, fazer manutenção de algo para evitar entradas de frio”, apontou.

Na Escola Secundária de Serpa há alunos que também têm levado mantas para as aulas para se protegerem. Nesse sentido, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, referiu ao i que, nos estabelecimentos de ensino onde existam piores condições, estas situações devem merecer a atenção da direção das respetivas escolas.

“Há escolas que precisam, de facto, de melhoramento na sua estrutura física em várias questões, tanto no amianto como no isolamento ou aquecimento”, adiantou. Nesses casos, explica, é importante agir.

 

Arejamento só nos intervalos

Jorge Ascenção ressalvou, porém, que nas escolas com boas condições terão de ser os próprios estabelecimentos a adaptar-se ao frio, sabendo-se que, nesta altura, as condições nunca são as melhores. Por isso, diz “não fazer sentido abrir portas ou janelas durante as aulas”, mesmo nesta altura de covid-19, em que o arejamento é aconselhado.

“Claro que se deve arejar as salas, mas penso que se deve optar por arejar mais vezes as salas mas sem os alunos lá dentro. Claro que está frio depois quando entram nas salas, mas, em escolas com boas condições, é preciso haver um equilíbrio. É certo que não são as melhores condições, mas também está frio nas nossas casas, no nosso trabalho. A escola tem de encontrar a melhor estratégia”, atirou, dando até o exemplo do seu filho, que muitas vezes “estuda em casa”, “usa mantas em cima dos joelhos” e está “de robe vestido” para não ficar com o aquecedor ligado o dia todo.