Sociedade

Ordem enviou ao Governo lista com mais de 4 mil médicos fora do SNS que querem vacina

Bastonário realizou um inquérito a todos os médicos para identificar quem está fora do SNS, sem informação sobre a vacina da covid-19 e que a quer receber.

A Ordem dos Médicos (OM) enviou, esta sexta-feira, ao Ministério da Saúde (SNS) uma lista de médicos que trabalham fora do Serviço Nacional da Saúde (SNS) e querem ser vacinados contra a covid-19. De acordo com a instituição, são mais de 4.000.

Em comunicado, a OM revela que Miguel Guimarães, bastonário dos médicos tem sido contactado por vários colegas que não trabalham no SNS e que não receberam qualquer informação sobre quando serão vacinados.

"Tendo o Ministério da Saúde identificado os médicos e profissionais de saúde como grupo prioritário, não é aceitável que todos os médicos portugueses, incluindo os que trabalham fora do SNS, não tenham sido ainda contactados", defende o bastonário.

Assim, Miguel Guimarães realizou um inquérito a todos os médicos para identificar quem está fora do SNS, sem informação sobre a vacina e que a quer receber. Em “poucos dias”, a OM reuniu 4.043 contactos – quase 1.800 médicos da zona da Grande Lisboa, mais de 900 do Porto, cerca de 300 de Coimbra e mais de 240 de Setúbal.

Ainda assim, a listagem incluiu médicos de todo o país - Aveiro (61), Beja (11), Braga (136), Bragança (8), Castelo Branco (25), Évora (38), Faro (115), Guarda (22), Leiria (61), Oeste (52), Portalegre (15), Ribatejo (78), Viana do Castelo (31), Vila Real (27) e Viseu (49). Há ainda 36 médicos da Madeira e 26 dos Açores.

De acordo com a Ordem, mais de 1.500 têm entre 65 e 74 anos, perto de 900 entre os 55 e os 64 anos. Há ainda mais de 600 médicos entre os 35 e 44 anos e quase 500 médicos entre os 45 e os 54 anos. Segue-se cerca de 260 com mais de 75 anos e outros 260 com menos de 35 anos. Em quase 60% dos casos os médicos trabalham em clínicas e consultórios particulares.

"Os critérios relativos à definição de prioridades e à sua aplicação prática deveriam ser uniformes e envolver todo o país e não apenas uma parte do mesmo, até porque muitos portugueses encontram hoje resposta para os seus problemas de saúde em consultas, exames e cirurgias proporcionados fora do SNS, seja a título privado ou convencionado", defende Miguel Guimarães.

"Numa altura de muito preocupante expansão da pandemia, é ainda mais central que não se fechem serviços por surtos nos próprios profissionais", acrescenta, revelando ainda que mais de 1.000 médicos da listagem fazem serviço de urgência.

"Nesta listagem que enviámos à tutela, há ainda quase 1.400 prestadores de serviço, mas que por trabalharem normalmente no SNS sem vínculo e sim através de empresas prestadoras de serviços também não têm sido contemplados", revelou.