Internacional

Nova variante que apareceu no Reino Unido pode tornar-se incontrolável, admite agência europeia

Centro Europeu para Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) pede a adoção de “medidas apertadas” na Europa. Especialista da ECDC admite que o encerramento das escolas "é uma medida menos eficaz" para o combate contra a covid-19.

O Centro Europeu para Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) receia a nova variante de covid-19 que apareceu no Reino Unido, por ser 70% mais contagiosa, o que torna mais difícil de controlar, sendo necessário adotar “medidas apertadas” na Europa.

Quando a nova variante foi descoberta no passado mês de dezembro, a ECDC pediu aos países da União Europeia “esforços atempados” para tentar controlar a propagação do vírus, principalmente durante as festividades do final de ano.

A partir desse momento, a ECDC ficou mais atenta à evolução da nova variante na Europa. “Penso que será muito difícil conter esta nova variante do vírus”, admitiu o especialista principal do ECDC para o novo coronavírus e gripe, Pasi Penttinen, à agência Lusa.

Com o aumento de novos casos de covid-19 no início do ano de 2021, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças defende o avanço de novos confinamentos, dizendo que “quanto mais rapidamente avançarem, melhor”.

“Somos a favor de existirem restrições claras para reduzir o contacto entre as pessoas, independentemente da forma que assumem”, declara o especialista principal do ECDC para o novo coronavírus e gripe, Pasi Penttinen, em entrevista à agência Lusa.

Para Pasi Penttinen, o encerramento de escolas na Europa é uma “medida menos eficaz” para o combate contra a covid-19, apesar de existirem efeitos retardantes na transmissão do vírus.

“Como uma medida isolada, o encerramento de escolas não vai resolver esta pandemia. Se os países decidirem fechar escolas, isso pode ter algum impacto na [quebra da] transmissão, mas não é tão eficaz como muitas das outras medidas”, revela o especialista.

Com o fecho dos “locais de trabalho, centros comerciais e ajuntamentos públicos”, o cancelamento das aulas presenciais pode ser considerada apenas uma medida adicional. “Sabemos que as crianças podem transmitir aos outros, quer sejam ou não sintomáticos, mas aparentemente são menos eficazes nessa transmissão do que os adultos”, explica Pasi Penttinen.

Porém, a nova variante provinda do Reino Unido “pode comportar-se de forma diferente em crianças”, pois segundo as amostras científicas preliminares, esta variante é 70% mais contagiosa e atinge essencialmente crianças e jovens.

O especialista da ECDC aconselha, neste caso, um controlo maior nas medidas de contenção. “Nenhuma das medidas é, por si só, eficaz, quer estejamos a falar de encerramento de escolas, da utilização de máscaras ou proibição de ajuntamentos. […] Só agregando algumas medidas, através de uma abordagem mais abrangente, é que é possível quebrar as tendências da doença”, conclui Pasi Penttinen.

No momento em que Portugal está a poucos passos de voltar a confinar o país, tendo com base as mesmas medidas implementadas nos meses de abril e maio de 2020, o especialista reforça que “todas as medidas que reduzem os contactos entre as pessoas, especialmente em locais movimentados e no interior, são eficazes contra este vírus”. Contudo, Pasi Penttinen, admite que está nas mãos de cada país europeu decidir e avaliar o “quão apertadas deverão ser” as restrições.