Sociedade

Dirigentes veem "com bons olhos" escolas e universidades abertas mas pedem mais medidas

Propostas passam por mais testes nos estabelecimentos e profissionais da educação na linha da frente da vacinação.

Com o novo confinamento implementado pelo Governo, que teve início às 00h00 desta sexta-feira, devido à covid-19, as escolas e as universidades são alguns dos estabelecimentos que mantêm as portas abertas – medida vista com bons olhos por quem as dirige. Acreditam, porém, que existem outras regras que têm de ser adotadas para haver necessariamente um maior acompanhamento por parte do Governo, numa altura em que tanto os casos diários de covid-19 como o número de mortes estão a aumentar significativamente. Ao i, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, deixou claro que não basta dizer que os estabelecimentos escolares vão permanecer abertos.

“Há que lembrar o primeiro-ministro, António Costa, da chegada às escolas dos testes rápidos ou de antigénio. Na quarta-feira, ele ressuscitou um anúncio que fizeram, em outubro ou novembro do ano passado, e que foi um anúncio que morreu. Ressuscitou o anúncio e espero que esse mesmo anúncio não volte a morrer, porque estes testes são importantes”, começou por dizer, lembrando que, no que toca à vacinação, espera que o Governo “não se esqueça” de colocar os profissionais da educação – como funcionários e professores – na linha da frente quando chegar a hora de ser vacinado o “patamar dos serviços essenciais”.

“É fácil de explicar porquê. Vamos estar na linha da frente no combate. Numa guerra é preciso dotar os guerreiros de armas, e as armas neste momento são estas: os testes rápidos e a vacinação”, atirou Filinto Lima, também à espera, desde outubro do ano passado, dos “3 mil funcionários” que o Governo prometeu fazer chegar às escolas. “Agora, mais do que nunca, fazem falta. Eu pergunto onde é que o Ministério das Finanças faz chegar às suas escolas a autorização para podermos contratar esses 3 mil funcionários”, questionou, pedindo ainda a António Costa um acompanhamento mais pormenorizado das escolas. “Ele que acompanhe tudo a par e passo durante as próximas semanas”, rematou.

 

Universidades também falam em prioridades

À semelhança do que acontece nas escolas, as universidades e politécnicos pedem igualmente que o Governo tenha especial atenção a todos os profissionais destas instituições, que agora, com este novo confinamento, estão em “maior risco” do que todos os outros que estão em teletrabalho. Ao i, a presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior, Mariana Gaio Alves, salientou que é fundamental aumentar a testagem nas universidades, acrescentando que, relativamente à vacinação, “é muito importante” considerar prioritários todos os profissionais das universidades e politécnicos que estão em trabalho presencial.

“Há universidades que estão a fazer testagem dos alunos e funcionários. E há outras instituições do ensino superior que não o estão a fazer. E parece-nos que isso tem de ser acautelado para rápida deteção de surtos e evitar possível contágios”, reforçou.

 

Subsídio de risco

Na mesma linha de pensamento surgem a Federação Nacional da Educação (FNE) e o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), com o último a ir ainda mais longe. Revela que é igualmente necessária “a atribuição aos docentes de um subsídio de risco correspondente ao serviço prestado durante este período de confinamento geral”, bem como o “prolongamento do período de 30 dias de faltas justificadas, atribuído mediante apresentação de declaração médica, aos docentes que pertençam a grupos de risco para a covid-19”.