Sociedade

XL passa de mãos e ganha mais um X

Um dos restaurantes mais icónicos de Lisboa vai ter nova gerência, passando o conhecido chefe Olivier a ser o responsável pelo XL, de Vasco Gallego, que ganha agora mais um X.


Não é muito comum anunciarem-se investimentos na restauração nesta época de pandemia, mas Olivier Costa gosta de rumar contra a maré e decidiu ficar com o restaurante XL durante cinco anos. A emblemática casa de São Bento, que recebeu clientes como Andrea Bocelli, entre muitos outros, passa a chamar-se XXL, by Olivier e não deverá sofrer grandes mudanças de visual, havendo, no entanto, alguns ajustamentos que se enquadram na filosofia do chefe que agora é o comandante do espaço.

Também a ementa manterá alguns «best-sellers» do XL, que serão negociados entre o antigo e o novo responsável. O célebre senhor Carlos, arrumador de carros, deverá, em princípio, manter-se como cuidador dos veículos dos clientes. As casas de Olivier sempre se caracterizaram por estarem muito ligadas aos novos fenómenos da moda, e se Vasco Gallego se orgulha de ter sido o primeiro a vender champanhe a copo, Olivier garante ter sido ele o primeiro a «pôr fogo-de-artifício nas garrafas de champanhe» – algo que, segundo Joel Pires, responsável pela comunicação do espaço, não irá acontecer no XXL. «Seria até um pouco ofensivo para os clientes tradicionais do restaurante. Não iriam gostar desse show-off», garantiu.

Já quanto às famosas Oliviettes, as raparigas que animavam os outros espaços de Olivier, Joel Pires entende que já não há mais Oliviettes, mas sim embaixadoras, e que deverão ser convidadas a aparecer. Há cinco anos, ao SOL, Olivier, que não se esconde de polémicas, dizia preto no branco: «É verdade que existem as Oliviettes. Isto faz-se em todo o lado da Europa mas, mais uma vez, fui pioneiro em Portugal. Fui o pioneiro a trazer as miúdas e a pagar-lhes para fazerem presenças (...) mas se sei que alguma miúda faz uma proposta dentro do meu restaurante, já não é nossa Oliviette». 

Olivier é o rosto de restaurantes como o Yakuza, Guilty ou Seen – locais onde a animação é um dos cartões-de-visita – e, no total, já é responsável por 16 projetos. Muitos deles são de hotéis a que o chefe português – filho de Michel da Costa, que ficou célebre com os seus programas televisivos sobre gastronomia – dá o nome e o conceito. Por isso está já no Brasil, na Tailândia e deverá chegar a Paris em breve.

Os projetos são muitos e Olivier orgulha-se de ser um dos hoteleiros de maior sucesso, tendo tido a capacidade de continuar a investir em plena crise. Por isso deverá abrir o XXL depois de inaugurar o Yakuza no espaço do antigo Olivier Avenida. Joel Pires acredita que se a pandemia deixar, esperam abrir estes dois espaços entre março e abril. Em junho segue-se o Yakuza na Comporta.

Olivier gosta de fazer e de ir à luta, daí o investimento no XXL. Já em relação aos protestos dos homens da hotelaria que estiveram em greve de fome, entre os quais o chefe Ljubomir Stanisic, Olivier é claro: «Não me identifiquei com aquilo, acho que me identifico mais a resolver problemas e ir à guerra do que ir fazer birrinhas», disse à RFM.