Economia

Empresas. Quase 40% consideram medidas insuficientes

Maioria das empresas continua a considerar apoios do Estado “aquém” ou “muito aquém” do esperado. Mais de metade está pouco otimista quanto ao futuro.


Quase 40% das empresas portuguesas considera que as medidas para travar a pandemia de covid-19 são insuficientes, enquanto 30% entende que são adequadas. Esta é uma das conclusões do mais recente inquérito às empresas levado a cabo pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em conjunto com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE.

O inquérito revela ainda que  21% dos inquiridos consideram que as medidas são demasiado restritivas e 12% não têm opinião formada sobre o assunto.

Já no que diz respeito aos programas de apoio do Estado, quatro em cinco empresas (83%) defende que estão aquém ou muito aquém do necessário, mas 16% considera-as “à altura das necessidades” enquanto 1% defende que “superaram as expectativas”.

O número de empresas que se encontravam em pleno funcionamento na semana de 11 de janeiro baixou de 87% para 85%. 2% mantiveram-se fechadas e as parcialmente encerradas subiram de 11% para 13%.

Já o número de empresas que aumentaram os prazos de pagamento aos fornecedores cresceu face ao mês anterior de 18% para 22%.

A maioria das empresas (57%) viu também as suas vendas e prestação de serviços caírem mas a pandemia trouxe novos clientes. “As empresas estão a conseguir manter novos clientes, o que e altamente estimulante: 16,5% das vendas já resultam de novos clientes que as empresas conseguiram conquistar nesta fase tremenda e dramática da pandemia”, disse Rafael Campos Pereira, da CIP.

Os dados mostram também que, para o primeiro trimestre deste ano, 18% das empresas esperam diminuir o número de recursos humanos mas 84% prevê manter ou aumentar os quadros de pessoal. Já as expectativas de vendas das empresas é negativa, em comparação com o período homólogo, com 51% a esperarem uma diminuição.

Rafael Campos Pereira admite que os valores podem piorar no próximo inquérito uma vez que este foi feito antes do confinamento mas deixa a ressalva da “resiliência” das empresas. “A crise só não é maior do ponto de vista económico e social porque as empresas estão a fazer um grande esforço”.