Sociedade

População divide-se na ida às urnas na aldeia alentejana de Bencatel devido ao corte da EN254

“A abstenção que irá existir será aquela que já era para existir por estarmos com uma situação de pandemia e em que provavelmente muitos idosos não vão sair de casa para votar”, explicou autarca.

O corte da EN254, na aldeia de Bencatel, no concelho de Vila Viçosa, em Évora, levou a que a população se tivesse dividido na hora de ir às urnas. Se há quem tenha votado, outros optaram pela abstenção como forma de protesto.

Em declarações à agência Lusa sobre se o descontentamento da população se reflete nas presidenciais, o presidente da Junta de Freguesia de Bencatel, José Cardoso, considerou que “nem tanto” e que tal se observa nas “manifestações populares” que têm sido diárias. “A abstenção que irá existir será aquela que já era para existir por estarmos com uma situação de pandemia e em que provavelmente muitos idosos não vão sair de casa para votar”, esclareceu. Segundo o autarca, a Infraestruturas de Portugal teve “dois anos para encontrar uma alternativa viável e segura para minimizar o impacto social e económico para a população” provocado com o corte definitivo da EN254 junto à aldeia.

Recorde-se que, na sexta-feira, a Organização Regional de Évora do PCP emitiu uma nota em que se pronunciou sobre o eventual boicote às urnas das eleições presidenciais deste domingo. "Boicote não é solução para a luta que é necessária travar! O descontentamento das populações afectadas pelo corte da EN254 é justo e legitimo perante a situação com que estão confrontados a partir do dia 22 de Janeiro, com a decisão do corte definitivo de uma estrada sem encontrar uma alternativa adequada, deixando as populações isoladas e entregues a si próprias", explicou.

"Como afirmámos junto do Governo, através do requerimento recentemente feito pelo PCP, as populações têm direito a ser protegidas e essa protecção implica as medidas que forem necessárias para evitar a circulação rodoviária em estradas que estejam em risco mas implica também encontrar alternativas de circulação para que as populações possam deslocar-se para o trabalho ou aceder ao cento de saúde, às escolas ou outros serviços públicos", adiantou, apelando a que se continue "a lutar para que sejam atendidas as preocupações destas populações e que seja assegurada uma verdadeira alternativa que responda às necessidades evidentes de mobilidade e acessibilidade", assim como à "luta consequente e dirigida para aqueles que com a responsabilidade própria, como o Governo, encontrem essas soluções no tempo e na forma adequados, não arrastando soluções ou descartando responsabilidades".

"Neste sentido o PCP não pode deixar de apelar à população de Bencatel e do concelho de Vila Viçosa que faça ouvir o seu protesto, com a continuação da luta por essa exigência e transformando o descontentamento em voto. O PCP considera que práticas como boicotes a um direito democrático que tanto custou a conquistar e que tantos tentam atacar, não só não responde às legítimas preocupações que o motivam, como fragilizam os objectivos que transportam", concluiu.

Na tarde de domingo, cerca de 200 pessoas concentraram-se junto à assembleia de voto para as eleições presidenciais da freguesia em protesto contra o corte definitivo da estrada nacional.