Economia

TAP e sindicatos tentam acordo em contrarrelógio para cumprir plano

As reuniões entre TAP e sindicatos seguem sem acordo. Siza Vieira defende opção de salvar companhia mas quer solução de viabilidade.


A TAP e os sindicatos começaram ontem a derradeira ronda de encontros tendo em vista a aprovação conjunta de um novo acordo de empresa, para colocar em prática algumas das medidas de redução de custos que constam no plano de reestruturação da empresa, já enviado a Bruxelas – e que inclui o despedimento de dois mil trabalhadores e o corte de 25% nos salários a partir dos 900 euros.

A meta definida pela TAP passa por reduzir os custos com os trabalhadores para cerca de metade face a 2019 (período pré-pandemia), ano em que a companhia gastou 678,6 milhões com pessoal. A empresa tenta ao mesmo tempo reduzir as indemnizações a pagar aos trabalhadores que possam vir a ser alvo de despedimentos, considerando o corte de 25% nos salários para calcular a compensação. 

Os sindicatos contestam estas medidas e tentam, por esta altura, evitar uma redução de custos através da extinção dos postos de trabalho. Em alternativa, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) – que ontem abriu as negociações – já fez mesmo chegar à TAP uma proposta que visaria aplicar um programa de reformas antecipadas e pré-reformas de adesão voluntária (abrangendo 444 tripulantes de cabina).

As conversas entre TAP e sindicatos prolongam-se até ao final da semana mas, caso não se chegue a um acordo até 31 de janeiro, a administração vai avançar para um regime sucedâneo (previsto na lei) que permite à TAP suspender unilateralmente os acordos de empresa estabelecidos em janeiro de 2015, assinados por Governo, TAP e sindicatos. 

TAP viável a “médio/longo prazo” O ministro da Economia reiterou que o Governo tem poucas dúvidas sobre a importância de salvar a TAP, mas alertou que a reestruturação tem de assegurar a viabilidade da empresa “a médio/longo prazo”. “Não estamos a pôr dinheiro numa empresa para daqui a cinco anos ela ser inviável e ir à falência”, disse Pedro Siza Vieira. O governante defendeu um processo de investimento semelhante ao da Caixa Geral de Depósitos, que garanta o retorno do apoio público à transportadora aérea, na forma de empréstimo, de capital ou de garantia.
Recorde-se que o empréstimo do Estado à TAP foi de 1,2 mil milhões em 2020. O plano de reestruturação prevê que a empresa possa vir a precisar de cerca de 3,7 mil milhões até 2024.