Internacional

Vacina russa Sputnik V mostra ter 96,1% de eficácia

Com estes dados, a Sputnik V coloca-se entre as vacinas com melhores desempenhos, como as da Pfizer/BioNTech, que confirmam uma eficácia de 95%. Porém utilizam uma tecnologia de produção diferente.


Dois especialistas independentes britânicos, Ian Jones e Polly Roy, comentaram a análise da vacina russa publicada na revista médica The Lancet e admitem que "o desenvolvimento da Sputnik V tem sido criticado pela sua precipitação, por ter saltado etapas e pela falta de transparência, mas os resultados são claros e o princípio científico dessa vacinação está demonstrado".

Ou seja, isto "significa que uma vacina extra pode ser acrescentada à luta contra a covid-19", sublinharam os dois investigadores, que não cooperaram no estudo.

Os primeiros resultados de eficácia analisados comprovam as afirmações iniciais da Rússia, divulgadas no outono passado e que geraram alguma desconfiança por parte da comunidade cientifica internacional.

O estudo publicado na revista The Lancet diz respeito aos resultados da última fase de ensaios clínicos da vacina, a respetiva fase três, que envolveu cerca de 20 mil voluntários.

É de reforçar que estas análises são realizadas, como sempre, com a equipa que desenvolveu a vacina e comandou os ensaios, sendo posteriormente submetidos a uma avaliação de outros cientistas independentes antes da sua publicação oficial.

Segundo os resultados, a vacina russa consegue reduzir em 91,6% o risco de contrair uma forma sintomática da covid-19.

Apenas 16 dos 14.900 voluntários que receberam as duas doses da vacina tiveram teste positivo, o que representa 0,1%, enquanto 62 de 14.900 precisou de receber placebo no espaço de três semanas de intervalo com a dose da vacina injetada.

Com estes dados, a Sputnik V coloca-se entre as vacinas com melhores desempenhos, como as da Pfizer/BioNTech, que confirmam uma eficácia de 95%. Porém utilizam uma tecnologia de produção diferente – RNA mensageiro.

Nestas últimas semanas, surgiram várias pressões para que a Agência Europeia do Medicamento (EMA em inglês) avaliasse o mais rápido possível o desempenho da Sputnik V, já administrada na Rússia e em países como a Argélia e Argentina.

Ao contrário do que se diz sobre a vacina desenvolvida pela AstraZeneca, o estudo considera a Sputnik V eficaz para as pessoas com mais de 60 anos, tendo como base cerca de 2 mil pessoas que mostraram estar muito protegidas contra as formas moderadas a severas do SARS-coV-2.

Contudo, há uma limitação: dado que os testes PCR foram só realizados "quando os participantes declararam ter sintomas de covid-19, a análise da eficácia diz respeito apenas aos casos sintomáticos".

"São ainda necessárias mais pesquisas para determinar a eficácia da vacina em casos assintomáticos e na transmissão" da covid-19, indica a revista The Lancet em comunicado.

A Sputnik V originada pela Rússia é uma vacina de vetor viral, que utiliza outros vírus tornados inócuos para o organismo humano e adaptados para combater o novo coronavírus.

Usa a mesma técnica da vacina AstraZeneca que, segundo a EMA, tem uma eficácia de 60%.

A vacina da AstraZeneca baseia-se num único adenovírus de chimpanzé, enquanto a Sputnik V apropria-se de dois adenovírus humanos diferentes para cada uma das injeções, que segundo os seus criados, resulta numa melhor resposta imunológica logo na primeira injeção.