Politica

CDS sob pressão na contagem de apoios

Telefonemas em catadupa, avaliação de inerências, requerimento para votação secreta e um partido que espera há meses por um empréstimo bancário. É neste ambiente que se realiza hoje o conselho nacional decisivo para o futuro do líder e do partido.

Os telefonemas não pararam durante toda a semana. Hoje há conselho nacional para definir se Francisco Rodrigues dos Santos, líder do partido, tem a confiança política para continuar. Entre os conselheiros ouvidos pelo Nascer do SOL há a certeza de que o atual presidente do CDS tem vantagem na contagem das espingardas. O problema reside no dia seguinte. Para tentar serenar o partido, há quem aponte que Chicão, como é conhecido no CDS, deveria ter uma maioria de dois terços no final do dia de hoje. Até porque se somam as vozes a pedir um congresso extraordinário, tal como deseja o challenger de Chicão, Adolfo Mesquita Nunes. O antigo secretário de Estado do Turismo quer que a votação da moção de confiança à equipa de Chicão, ponto único da agenda, seja feita por voto secreto – e não de forma nominal (ou seja, um a um), como aconteceu no último conselho nacional, em dezembro. Já foi, aliás, entregue um requerimento para o efeito pelo deputado e líder da distrital de Lisboa, João Gonçalves Pereira. E o requerimento será avaliado pelo conselho de jurisdição até ao início da reunião do conselho nacional.

Filipe Anacoreta Correia, presidente da mesa do conselho nacional, já garantiu (e disse-o ao i) que pediu à secretaria-geral do partido para avaliar todas as possibilidades técnicas de votação antes do encontro, que será decisivo tanto para o líder do CDS como para Adolfo Mesquita Nunes. De parte a parte faz-se a avaliação de quem está no conselho nacional, as inerências (que dão vantagem a Chicão) e quem pode estar, ou não, na reunião do conselho nacional por videoconferência pois, devido à pandemia, oito distritais não fizeram eleições internas. Por isso, quem as representar (e votar) tem o mandato estendido via secretaria. Há quem tenha recebido telefonemas dos dois lados, ou só de um. O cansaço já é notório para quem hoje participa no encontro. Entretanto, ontem, o líder parlamentar do CDS, Telmo Correia, decidiu quebrar o silêncio para defender, num artigo de opinião (no Público), um congresso extraordinário. O deputado tinha evitado comentar em público o que preferia para o partido. Mas na véspera do conselho nacional apontou baterias ao cenário mais desejado por Mesquita Nunes.

Quem não estará no conselho nacional é Filipe Lobo d’Ávila, que se demitiu de vice-presidente (era o primeiro da hierarquia), tal como o vogal demissionário Raul Almeida.

Nuno Melo, que já disse publicamente que Francisco Rodrigues dos Santos não tinha condições para continuar, remete-se agora ao silêncio. A avaliação será feita no conselho nacional, onde se esperam tentativas de adiantamento à agenda, recursos e apelos a um congresso extraordinário .

Pelo caminho, há um dado importante nesta avaliação. O CDS tem tido dificuldades financeiras e está há meses a tentar um empréstimo bancário, ainda sem sucesso. E as dificuldades são várias, sobretudo para tentar preparar as eleições autárquicas. Mais, na sede do partido só restam três funcionários. No final do dia de hoje, a contenda pode continuar se não sair do conselho um sinal da realização de um congresso. Ou, então, Chicão resiste, mas poderá ser sempre um líder a prazo até às autárquicas.