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Fernando Medina e a paralisia pandémica

Medina ficou sem discurso, a economia estrangulou, as pessoas ficaram sem trabalho, Lisboa vive num torpor à espera que tudo volte ao normal.

A Câmara de Lisboa vive há praticamente um ano paralisada pela pandemia. A cidade que Fernando Medina tinha vocacionado exclusivamente para o turismo, parou. Os aviões deixaram de aterrar a cada minuto, os turistas deixaram de vir, os restaurantes fecharam, o alojamento local também. A indústria do turismo colapsou.

Medina ficou sem discurso, a economia estrangulou, as pessoas ficaram sem trabalho, Lisboa vive num torpor à espera que tudo volte ao normal, que volte a ser exatamente como era antigamente. É a essa ideia que o autarca se agarra como um náufrago se agarra a uma boia.

Vemos Medina a anunciar programas de ‘apoio’ ou a ‘fundo perdido’ de valores irrisórios a empresas viáveis e inviáveis, vemo-lo a anunciar apoios de 500 euros a cada taxista quando o setor do táxi, em volume de negócios e pessoas que emprega, já era equivalente ao Uber e congéneres. Porquê o táxi então?

Esta paralisia tem dois problemas: primeiro não é de supor que as coisas voltem a ser como eram e o segundo (e mais grave) é se queremos que volte a ser como era.

A situação dura há um ano e mesmo as previsões mais otimistas não apontam para o alívio da situação senão para os finais de 2021, o que significam quase dois anos de estagnação. A situação não é viável economicamente.

E porque não podemos regressar ao passado? Porque é forçoso compatibilizar o desenvolvimento económico com a qualidade de vida dos moradores. Não podemos ter aviões a voar de noite que não nos deixam dormir: é urgente definir a situação do aeroporto de Lisboa para que não haja voos noturnos. Também não podemos ter bairros inteiros dedicados ao alojamento local sem uma casa para uma família arrendar. Portanto, não, não podemos voltar a ser exatamente como éramos.

No presente não adianta andar a distribuir 2000 euros a empresas falidas sem futuro nem 500 euros a taxistas, com o dinheiro dos nossos impostos, como se fosse espalhar confetti.

Em primeiro lugar precisamos de um plano económico viável para a cidade de Lisboa, canalizando os poucos apoios públicos disponíveis para setores/empresas economicamente viáveis.

Em segundo lugar, precisamos de um choque fiscal: com coragem é preciso assumir que Lisboa não é competitiva fiscalmente. A Câmara aplica e cobra 165 taxas municipais! Isto torna impossível captar investimento estrangeiro, torna difícil a subsistência das empresas e penosa a vida das famílias.

Em terceiro lugar assumir que não existe um mercado de arrendamento em Lisboa: existe um mercado negro, ilegal e paralelo. Todas as promessas da câmara relativas à habitação são uma fraude. Portanto, vai ser necessário baixar a tributação para que os senhorios privados ponham as suas casas no mercado.

É urgente que o presidente Fernando Medina tire a cabeça do buraco na areia onde a enfiou e encare a realidade: o modelo económico de turismo intensivo de 2015 a fins de 2019 acabou, não volta e não é sequer bom que volte nos mesmos termos.