Internacional

Morreu médico que tratou Navalny

Sergey Maximishin cuidou do opositor de Putin depois de este ter sido envenenado. Notícia surge numa altura em que os protestos contra o Presidente continuam a ganhar força.


A mais recente vítima inesperada no círculo dos opositores do Presidente da Rússia foi o médico Sergey Maximishin, de 55 anos, que tratou Alexei Navalny, o rival político de Vladimir Putin que esta semana foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por um tribunal de Moscovo.

Apesar de a causa da morte do médico não ter sido revelada, não demorou muito até surgirem insinuações do envolvimento do Kremlin.

«Ninguém sabia mais sobre a condição de Alexei Navalny, por isso não posso descartar a possibilidade de ter sido um ato criminoso», disse Leonid Volkov, chefe da equipa de Navalny, à CNN. Volkov também abordou outra possibilidade: como «o sistema de saúde da Rússia é muito precário, não é incomum que médicos da sua idade morram repentinamente». E concluía: «Duvido que venha a haver alguma investigação sobre a sua morte».

 

Condenação, protestos sem fim e um palácio gigante

Esta notícia surge na mesma semana que foi conhecida a pena de prisão de Navalny, dois anos e oito meses.

A justificação apresentada para a condenação foi a violação dos termos de uma pena suspensa a que foi sentenciado em 2014, após Navalny ter sido acusado de fraude, uma acusação que o próprio diz ter sido fabricada.

O opositor de Putin estava em liberdade condicional, cujos termos terá quebrado quando foi transferido para a Alemanha para recuperar de um envenenamento de que foi alvo durante um voo no último verão.

Segundo a AP, a juíza responsável pelo caso subtraiu dez meses à sentença original – três anos e meio – por já terem sido cumpridos em prisão domiciliária, sendo assim Navalny condenado a cumprir a pena de dois anos e oitos meses num estabelecimento prisional.

Durante o julgamento, Navalny voltou a responsabilizar o Governo russo pelo seu envenenamento, dizendo que Putin «passará à história como envenenador». «Demonstrámos e provámos que Putin, através do FSB [os serviços de informações], cometeu uma tentativa de assassínio e que não sou o único. Muitos também o sabem, outros vão sabê-lo, e isso enlouquece este pequeno ser no seu ‘bunker’», disse.

A detenção de Navalny gerou um movimento de protestos sem precedentes na Rússia. Mais de cinco mil pessoas já foram detidas pela polícia durante as manifestações que apelavam à libertação de Navalny, anunciou a organização não-governamental OVD-Info.

Entre os detidos estarão a mulher de Navalny, Yulia, e o seu irmão, Oleg. O seu assessor, Lyubov Sobol, e outras três pessoas foram colocadas em prisão domiciliária, na semana passada, sob a acusação de supostas violações das restrições do coronavírus durante protestos.

Putin está a ser alvo de uma pressão e ataques a que não está habituado. Apesar de estar detido pelas autoridades, Navalny acusou o Presidente de corrupção e publicou, na terça-feira, dois dias após a sua detenção, um inquérito que demonstrava os crimes de Putin e do seu círculo, assim como a atribuição ao Presidente russo de um luxouso palácio que possui vinhas, um recinto de hóquei no gelo ou um casino.

A equipa do opositor publicou o vídeo do palácio no YouTube e já foi visto mais de 100 milhões de vezes na Rússia, que possui uma população de cerca de 144 milhões de pessoas.

Segundo Navalny, foram gastos 100 mil milhões de rublos (1,12 mil milhões de euros) para construir este complexo. «É um Estado no interior da Rússia. E neste Estado apenas existe um czar inamovível. Putin», acusou.