Economia

PIB: Muitas incertezas no futuro

O controlo da pandemia este ano será crucial para determinar o crescimento económico da economia nacional, que no ano passado atingiu resultados negativos históricos.

A crise pandémica continua a fazer estragos na economia portuguesa e enquanto a pandemia não estiver controlada, todos os dados serão incertos. No entanto, a recuperação terá início já este ano, segundo as previsões de várias instituições. Mas será maior ou menor, consoante o controlo da covid-19.

Mas vamos a números. Este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer entre 2,5% a 4,5%. As estimativas são do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa (ISEG). Segundo a síntese de conjuntura de janeiro, o crescimento dependerá do controlo pandémico. Para os economistas do instituto, a partir do primeiro trimestre deste ano, «num cenário plausível de melhorias progressivas e sustentadas no controlo da pandemia», a economia deverá começar a crescer «em cadeia de forma mais regular e sustentada». «Admite-se que a resposta da economia será, inicialmente, relativamente rápida e robusta, mas o ritmo de crescimento será muito provavelmente marcado pelo maior ou menor controle da evolução da pandemia», estima o ISEG.

Os economistas acreditam ainda que este segundo confinamento será negativo mas não terá tanto impacto como o primeiro uma vez que já existe maior experiência e conhecimento por parte das empresas «que podem continuar a laborar, para lidar com estas situações de forma mais eficiente e evitar as paragens e disrupções da cadeia produtiva que ocorreram no primeiro confinamento».

Menos otimista em relação ao crescimento para este ano está o Fórum para a Competitividade. A entidade liderada por Pedro Ferraz da Costa viu-se obrigada a fazer uma revisão em baixa da sua estimativa do PIB para entre -4% e +1% «por um conjunto alargado e significativo de fatores, não deixando de sublinhar a envolvente de excecional incerteza de uma pandemia sem precedentes nos últimos 100 anos».

A revisão é justificada com «atrasos na produção de vacinas e sua distribuição», a «revisão em baixa do crescimento na zona euro», ou a «política orçamental recessiva».

Mas há mais. A estrutura fala nos novos confinamentos «com contornos mais gravosos» para a economia este ano, uma vez que têm «duração incerta, mas probabilidade de ser prolongada», considerando ainda que a proibição de circulação entre concelhos «destrói o turismo».
 
PIB cai 7,6% em 2020 

Sem certezas do que acontecerá este ano, os dados do ano passado já são certos. No conjunto do ano 2020, o PIB registou uma queda de 7,6% em volume (crescimento de 2,2% em 2019), «a mais intensa da atual série de Contas Nacionais, refletindo os efeitos marcadamente adversos da pandemia na atividade económica», disse o INE.

De acordo com o organismo, a procura interna apresentou um expressivo contributo negativo para a variação anual do PIB, após ter sido positivo em 2019, devido, sobretudo, à contração do consumo privado. Já o contributo da procura externa líquida foi mais negativo em 2020, verificando-se reduções intensas das exportações e importações de bens e de serviços, com destaque particular para a diminuição sem precedente das exportações de turismo.

No entanto, no quarto trimestre, o PIB, em termos reais, registou uma variação homóloga de -5,9%. Mas apesar desta quebra histórica, o valor final acabou por estar acima da meta estipulada pelo Governo que apontava para uma queda de 8,5% do PIB em 2020.