Internacional

A queda da popularidade do comprimido azul que revolucionou o sexo

Ainda que o viagra tenha  permitido que milhões de homens impotentes pudessem ter uma vida sexual ativa, a procura tem diminuído em tempos de covid-19.


Ainda que o viagra tenha  permitido que milhões de homens impotentes pudessem ter uma vida sexual ativa, a procura tem diminuído em tempos de covid-19.

O viagra foi lançado nos Estados Unidos da América, em abril de 1998, e chegou a Portugal alguns meses depois, tendo sido aprovado em setembro do mesmo ano e a sua venda iniciada no mês seguinte. Mas de acordo com dados enviados ao i pelo Centro de Estudos de Avaliação em Saúde da Associação Nacional de Farmácias, a venda deste medicamento e similares tem vindo a descrescer acentuadamente desde 2019, principalmente em tempos de pandemia de covid-19.

Assim, em 2020, foram vendidas, no total, 208.401 embalagens contra 232.068 no ano de 2019, valor que representa uma descida de 10,2%. Em termos específicos, em janeiro de 2020, foram vendidas 18.957 embalagens que, quando comparadas com as 18.815 vendidas em janeiro de 2019, representam um crescimento de 0,8%. Porém, em janeiro de 2021, esse número correspondia a 16.420 contra 18.957 no período homólogo do ano passado, existindo um decréscimo de 13,4% no volume de vendas do fármaco nesta fase da pandemia.

No entanto, é de salientar que este panorama não é recente: a principal substância ativa do viagra, o sildenafil, foi ultrapassada em vendas por outro fármaco destinado à disfunção erétil: o taladafil (ou taladafila).

Deste modo, e recuando no tempo para entender a quebra da fama do medicamento, de acordo com os dados oficiais das vendas de embalagens de medicamentos para a disfunção erétil, fornecidos pelo Infarmed, em 2018, o taladafil, comercializado desde 2004 com o nome de Cialis, lidera o mercado português desde pelo menos 2007. É de referir que o mesmo chegou a registar mais do dobro das caixas vendidas do que o principal concorrente, entre 2009 e 2013.

Todavia, com a perda da patente, em janeiro de 2014, o Viagra passou a ter no país a concorrência de nove genéricos à base do Sildenafil – vendidos a 50% ou menos do medicamento de marca - e Sildenafil passou de 115 mil caixas, em 2013, para as 262 mil, em 2014.

Passados quatro anos, no primeiro semestre de 2018, as vendas de Sildenafil fixaram-se nas 11.905 caixas. 

Apesar de já nem sempre ser visto como um milagre como outrora, o realizador e ator Spike Lee planeia levar a cena um musical sobre a criação do medicamento para impotência da Pfizer, que foi inicialmente usado como um medicamento para o coração. O musical será co-escrito por Lee e pelo dramaturgo britânico Kwame Kwei-Armah.