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A pandemia, a bazuca europeia e o que falta para preparar Lisboa

A atual crise deve ser uma oportunidade para rever os pressupostos do desenvolvimento da cidade e da região, corrigir as prioridades dos investimentos e voltar a pensar na cidade e na região que queremos e como deveremos lá chegar.


Tal como a União Europeia e Portugal, a região e a cidade de Lisboa deveriam preparar um plano de recuperação social e económica pós-pandemia.

Portugal beneficiará de um forte investimento europeu nos próximos anos para fazer face à crise pandémica e para preparar o relançamento da economia. A chamada ‘bazuca europeia’ será aplicada no Plano de Recuperação e Resiliência proposto pelo Governo português com grandes apostas: a resiliência económica, que inclui uma dimensão social, outra relacionada com o setor produtivo e uma outra dedicada à coesão territorial, a transição climática e a transição digital.

No plano proposto, alguns investimentos estão, direta ou indiretamente, relacionados com a cidade ou com a região de Lisboa, como, por exemplo, a expansão do metro e de outros modos de transporte na Área Metropolitana.
No entanto, complementarmente ao plano nacional, e não obstante os contributos que certamente terão dado para o mesmo, a região e a cidade de Lisboa deveriam ter preparado planos de recuperação económica, respondendo às características da economia e também aos impactos específicos da pandemia.

A Área Metropolitana de Lisboa concentra 28% da população nacional, 35% do emprego, 36% do PIB, 30% do turismo e 38% dos estudantes no ensino superior. A cidade de Lisboa concentra 16% do emprego nacional, 22% do turismo e 31% dos estudantes de ensino superior. Estes indicadores traduzem a importância da cidade e da Área Metropolitana enquanto motores do desenvolvimento nacional, mas também sobre a massa crítica existente para operarem esse mesmo desenvolvimento.

Mas a Área Metropolitana e a cidade de Lisboa verificam algumas especificidades, nomeadamente no que respeita à sua economia altamente dependente do setor do turismo. Se a atividade turística contribui com cerca de 15% para o PIB nacional e gera, direta ou indiretamente, 10% do emprego, na AML, o peso no PIB é de cerca de 20% e de 15% do emprego e, na cidade de Lisboa, o setor representa 27% do PIB e 40% do emprego é gerado ou mantido com o contributo da atividade turística.

Perante esta realidade, e tendo em conta o abalo tremendo na atividade turística provocado pela pandemia com impacto determinante durante dois anos, mas com consequências que se prolongarão para além deste período, importa olhar para a economia da região e da cidade de Lisboa em particular, identificando respostas para o imediato, mas também para uma economia mais resiliente no futuro.

Desde logo, no que diz respeito ao desenvolvimento do setor turístico, esta crise obrigará a rever e alterar a estratégia definida, não deixando esta aposta, mas adaptando-a. Mas, necessariamente, importa definir uma visão e uma estratégia para a recuperação da economia de base mais diversificada e sustentável.

A atual crise deve ser uma oportunidade para rever os pressupostos do desenvolvimento da cidade e da região, corrigir as prioridades dos investimentos e voltar a pensar na cidade e na região que queremos e como deveremos lá chegar.
Perante esta crise pandémica, Lisboa precisa da sua ‘bazuca’, mas também precisa de um Plano de Recuperação e Resiliência que responda à crise social e aos desafios do desenvolvimento.