Tautologias

Em que Portugal nos tornámos?

«Trago em mim uma camada de mortos, só não sei até que profundidade». Raul Brandão

Morreu o tenente-coronel Marcelino da Mata, o militar português mais condecorado. Chefiou ou combateu em mais de duas mil operações na guerra de África (seja lá que guerra tenha sido essa), salvando milhares de compatriotas da Pátria que escolheu e mereceu; gente de esquerda, de direita ou de lado nenhum, favorecida ou humilde. Foi promovido  de soldado a tenente-coronel e recebeu  a honra maior da ordem militar da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito.
Foi admirado por Salgueiro Maia, e o coronel Matos Gomes, outro capitão de Abril, considerou-o um homem corajoso e inteligente, um combatente aguerrido e competente. E na cerimónia fúnebre, o CEMGFA, almirante Silva Ribeiro, com o Presidente da República presente – e o ministro da Defesa ausente (como poderão os militares respeitá-lo?) –, afirmou que «nos fica a memória de um grande homem, distinto militar, que, com extraordinário Valor, com extraordinária Lealdade e com extraordinário Mérito, prestou invulgares serviços a Portugal».

O acontecimento foi aproveitado pelo senhor Mamadou para uma nova provocação racista: «Marcelino da Mata é um criminoso de guerra que não merece respeito nenhum», disse.

Na mesma semana, seguramente sem nada ter a ver com tal obscenidade, Maria João Avillez publicou no Observador um texto arrepiante, belíssimo, que tocando no mais fundo de mim revela  em toda a sua dimensão a desumanidade do insulto e da agenda do Senhor Mamadou Ba.

«Não se passa incólume pelo heroísmo. Testemunhá-lo confere pesada responsabilidade. Bem vistas as coisas, a santidade está mais vezes do que se pensa ao alcance da mão. Sozinho – é assim que se morre hoje, num anonimato gelado que nos torna  o gesto impotente e seca a alma. […] A morte sempre me parou a vida, nunca a disfarcei ou lhe virei as costas, nunca fui capaz de fazer de conta, pondo-me automaticamente em sentido. Sempre a revesti dos seus rituais, que  eram, são, para mim o inseparável reconhecimento da inteira dignidade que me merece alguém que se despede para não voltar». 

Querem um racista? Aí o têm! Não precisam de gastar dinheiro, como o Governo se prepara agora para fazer ao disponibilizar 15 milhões que o país não tem para ‘combater o racismo’.  

Mamadou destila ódio contra si próprio, aparentemente por ser negro. Como se eu me odiasse a mim mesmo por ter nascido feio (e não um Denzel Washington ou um  Brad Pitt, como teria preferido). Ódio contra a vida, afinal, igual  ao que os nazis, ou Trotsky e todos os totalitários manifestam. É assim  o ódio do racista.

Que Portugal somos nós? Em que gente nos deixámos tornar para tolerar tal ofensa aos nossos mortos?

As afirmações provocatórias de MB não são um exercício legítimo de liberdade de opinião, antes configuram um delito punível pelas leis a cujo cumprimento também ele está obrigado.  Fosse negro ou branco, alguém assim não mereceria  a Pátria que generosamente lhe oferecemos.  

A PGR, a  ministra da Justiça, o Governo, o PR  deviam ajudá-lo a libertar-se  da nacionalidade, do país e do povo  que tanto odeia e enviá-lo para o paraíso de onde fugiu.  Se é isso  que quer provocar, honremos os nossos mortos e pensemos no futuro. 

P.S. – Indignado, assinei uma petição a pedir a expulsão do país de MB, sem saber quem ma enviou nem quem a assinara.