No meio de nós

O amor nunca desaparece!

Se não tivermos organizações de auxílio especializado em assistência à pobreza envergonhada, haverá grande clamor e lágrimas, como no dizer bíblico!

O Presidente da República dirigiu uma mensagem à organização católica Cáritas: «Quero saudar os mais de 1500 profissionais e mais de 1500 voluntários que todos os dias, semana após semana, integram a rede de proximidade e solidariedade. Abraço-vos a todos, agradecendo estes 65 anos». O Presidente lembrou, ainda, que entre março e dezembro de 2020, a Cáritas Portuguesa apoiou mais de dez mil pessoas.

Esta organização católica, liderada, na sua maioria, por leigos, é uma da expressão do amor dos cristãos para com os mais desfavorecidos. Uma vez por ano, em todas as paróquias do país, os cristãos partilham os seus bens e o seu dinheiro para ser repartido por quem vive com dificuldades.

No último ano, por razões que são públicas – o confinamento –, dado que não houve a possibilidade de celebrar a Eucaristia no dia da Cáritas, os cristãos viram-se impossibilitados de destinar o seu ofertório para este fim. Este ano, estamos no mesmo caminho… Não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos destinar o ofertório para este fim, mas podemos ajudar esta organização católica através dos meios digitais.

É fundamental que todos consigamos ajudar estas organizações que estão no terreno e que são mediadoras de inúmeros conflitos e desesperos de tantos portugueses no nosso país. É fundamental que não nos esqueçamos que muitos do que há um ano estavam com bons empregos e grandes rendimentos, este ano podem já não ter nada.

Não nos podemos esquecer, também, que no próximo ano podemos ser nós a precisar de um gesto de amor para connosco.

Ouvi uma notícia de que as moratórias para pagamentos aos bancos terminam em abril e fiquei de olhos abertos, porque muitos portugueses ainda não se conseguiram sequer levantar do último confinamento e ainda confinados sabem que têm de pagar aos bancos as suas dívidas.

E é verdade. Tem de ser! Os bancos também contam com esse dinheiro para pagar aos empregados e aos compromissos que têm (espero, porém, não ver os resultados positivos de milhões no final deste ano).

Estamos voltados para a vacinação, para a imunidade de grupo, para chegar ao maior número de pessoas possível. É compreensível: não queremos morrer! Por isso, queremos ser vacinados!

Temos, no entanto, que uma vez livres do perigo da morte pela miraculosa vacina alguns queiram morrer por não terem como fazer face aos compromissos assumidos e outros por não terem sequer o que comer.

 É bom que tenhamos bem claro que este cenário é possível e previsível. Já deveríamos estar a pensar como havemos de reestruturar a economia e não vejo ninguém a fazer contas de somar ou de subtrair.

Se não tivermos organizações de auxílio especializado em assistência à pobreza envergonhada, haverá grande clamor e lágrimas, como no dizer bíblico!

É algo que temos de ter presente: tal como nos separámos, confinados nas nossas casas, teremos de nos unir para gerar uma onda de amor, porque só juntos conseguiremos superar a desgraça que se avizinha ainda maior do que a desgraça do vírus.

São Paulo diz que a caridade – o amor – nunca desaparece!

Eu acredito que a Cáritas como instituição pública de fiéis e o amor individual de muitos católicos serão o início da comunhão portuguesa que seja capaz de suportar os fardos pesados da pobreza e de limpar as lágrimas de todos os rostos.