Sociedade

"Os representantes se negam a dar resposta aos brasileiros em desespero"

“É impossível que o Ministério diga que está acompanhando a situação”, escreveu Associação Brasileira em Portugal.

Depois de o Ministério das Relações Exteriores, do Brasil, ter explicado que as “restrições orçamentais” não permitem mais apoios aos cidadãos brasileiros retidos em Portugal, Ricardo Amaral Pessoa, presidente da Associação Brasileira em Portugal e do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Lisboa, endereçou uma missiva ao ministro Hernesto Araújo.

No documento a que o i teve acesso, o porta-voz do Conselho de Representantes dos Brasileiros no Exterior começa por explicar que “gostaria de esclarecer que a Embaixada do Brasil em Lisboa e o Consulado-Gerais do Brasil em Lisboa, não têm acompanhado atentamente a situação dos brasileiros” sendo que, se esse fosse o caso, “os atenderia com toda a receção e humanidade por se tratarem de cidadãos de nossa pátria”.

Amaral Pessoa denuncia que “tanto a embaixada quanto o consulado não atendem os telefones e sequer respondem e-mails”, adiantando que, “numa crise tamanha como a que estamos passando, os representantes se negam a dar respostas aos brasileiros que se encontram em estado de desespero”.

O responsável insiste ainda que “é impossível que o Ministério diga que está acompanhando a situação dos brasileiros, se não os atende, não sabe de suas necessidades, não possui seus novos endereços, muitos já estão a morar nas ruas e passar fome”.

Ainda que, esta quinta-feira, o Governo brasileiro tenha autorizado a realização de voos humanitários e a secretária de Estado das Comunidades tenha feito saber que está disponível para autorizar as companhias aéreas brasileiras a realizar para Portugal voos idênticos ao da TAP, em que viajaram 298 cidadãos, na passada sexta-feira, Amaral Pessoa evidenciou que este “foi objeto de mais um descaso” por parte do Executivo brasileiro.

“Disponibilizar informações nas redes sociais como notificações, não é o mesmo que atender”, escreveu o dirigente, asseverando que “o necessário é uma via de mão dupla que não somente escute, mas que faça acontecer”, opondo-se aos voos com escala em países como Espanha, França e Holanda na medida em que considera “que nenhum destes cidadãos possuem saúde financeira para custear tal ‘passeio’ pelos aeroportos europeus”.