Internacional

Funcionário de banco ajuda a salvar vítima de violência doméstica e filhos através de bilhete secreto

Mulher foi levada com os dois filhos, um menino de um ano e uma menina de cinco anos, para uma casa de abrigo. 


Uma mulher, vítima de violência doméstica, utilizou um bilhete para pedir ajuda numa dependência bancária no município brasileiro de Sobradinho, na última segunda-feira.

A vítima, que estava a ser atendida enquanto o agressor esperava na rua, uma vez que devido à pandemia só pode entrar uma pessoa no espaço, entregou um bilhete a um funcionário do banco com a frase “Você pode me ajudar”, seguida de um “X” e das palavras “violência doméstica”. No papel, a mulher alertou ainda que homem se encontrava na rua.

O funcionário rapidamente deu um papel em branco à vítima, que escreveu o endereço da casa da família. Neste segundo bilhete, a mulher reforçou que se a polícia batesse à porta e ninguém respondesse, que deviam insistir.

Ao G1, o funcionário que atendeu a mulher e apresentou queixa à polícia contou, sob anonimato, que assim que a mulher deixou o banco, reuniu-se com os colegas de trabalho para encontrar uma forma de ajudá-la. O homem critica ainda a atuação das autoridades, que inicialmente questionaram a veracidade do bilhete.

"Sobra burocracia e falta empatia. Cheguei no outro dia no banco desnorteado", disse o bancário.

Face à insistência do homem, no dia seguinte à ida da mulher ao banco, a polícia esteve na casa da vítima e, numa segunda tentativa, descobriu que esta era mantida em cárcere privado pelo companheiro. A mulher foi levada com os dois filhos, um menino de um ano e uma menina de cinco anos, para uma casa de abrigo de vítimas de violência doméstica. Contudo, o agressor está em fuga.

Sérgio Borges, sargento da Polícia Militar brasileira, disse que a mulher estava com medo quando a polícia se deslocou à habitação. Em 2019, a mesma mulher já tinha feito uma denúncia por violência doméstica.

De realçar que o desenho de um “X” foi uma orientação dada numa campanha no Brasil como um pedido de ajuda para mulheres vítimas de violência doméstica.