Internacional

Lula da Silva diz que foi "vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história"

No entanto, o ex-presidente considera que o sofrimento que o povo brasileiro está a passar devido à crise provocada pela pandemia de covid-19 é "infinitamente maior do que qualquer crime". Lula da Silva apelou ainda à população para não seguir os "conselhos imbecis do presidente [Bolsonaro]" sobre a vacinação contra a covid-19.


O antigo presidente do Brasil Luiz Inácio 'Lula' da Silva afirmou esta quarta-feira que foi "vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história", referindo-se às acusações nos processos da Operação Lava Jato, e que a sua mulher, Marisa Letícia, vítima de um AVC em 2017, "morreu por conta da pressão".

"Sabia que este dia chegaria e chegou", começou por afirmar Lula da Silva numa conferência de imprensa na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no interior de São Paulo, o mesmo local de onde há três anos saiu para se entregar à Polícia Federal do Brasil. "Se há um cidadão que tem razões para estar zangado com as chibatadas que levou sou eu, mas não estou", afirmou. 

"Sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. Sei que a minha mulher morreu por conta da pressão e o AVC se apressou", acrescentou. 

No entanto, o ex-presidente considera que o sofrimento que o povo brasileiro está a passar devido à crise provocada pela pandemia de covid-19 é "infinitamente maior do que qualquer crime".

"O sofrimento que o povo brasileiro está a passar, o sofrimento que as pessoas pobres estão a passar neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim", disse. "A dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas. É muito menor do que a dor das quase 270 mil pessoas que morreram e que não se puderam despedir dos seus familiares", continuou. 

Lula da Silva teceu ainda duras críticas à atuação do governo de Jair Bolsonaro face à pandemia, dizendo que "o governo é um verdadeiro desgoverno na área da saúde" e que as mortes devido ao novo coronavírus "podiam ter sido evitadas se o governo tivesse feito o elementar".

O antigo chefe de Estado brasileiro apelou aos brasileiros para tomarem a vacina contra a covid-19 e mostrou-se solidário "para com os governadores que travam uma luta titânica para administrar vacinas contra um governo incompetente, um ministro da Saúde incompetente, pessoas que não amam a vida". 

"Não importa de que país é, se é de uma ou duas doses e faço um apelo ao povo brasileiro. Não sigam os conselhos imbecis do presidente e do ministro da Saúde. Tomem a vacina!", disse, acrescentando que ele próprio será vacinado durante a próxima semana.