Internacional

Mais de 200 anos de prisão para pai que matou filhos autistas para receber indemnização

"É o mais falso e hábil mentiroso... Não é nada mais do que um assassino brutal e ganancioso", disse o juiz. "O único arrependimento que o réu tem é ter sido apanhado".

A 9 de abril de 2015, Ali Elmezayen, de 45 anos, conduziu a toda a velocidade o seu Honda Civic em direção ao mar, no porto de Los Angeles, nos Estados Unidos da América. O objetivo era matar dois dos seus filhos – de 8 e 13 anos, ambos autistas – e a sua ex-mulher para receber indemnizações de seguradoras. Foi esta quinta-feira condenado a 212 anos de prisão.

Elmezayen esperou até à data em que expirou o prazo da carência da última de várias apólices de seguro que tinha feito para a família para cometer o crime, segundo a Procuradoria de Los Angeles. No carro, seguia ele, a ex-mulher, Rabad Diab, e os filhos mais novos, Abdelkarim, de 8 anos, e Elhassan, de 13. Elmezayan conseguiu escapar através de uma janela que tinha deixado aberto e nadou até ao cais, a mulher não sabia nadar mas foi salva por uma bóia atirada por um pescador no local. "Os meus filhos, os meus filhos", terá gritado. No entanto, ambos morreram antes de a ajuda chegar até eles.

Na altura, o homicida disse às autoridades que tinha sido "um trágico acidente", sugerindo que teria desmaiado com a medicação que estava a tomar, ou que poderia acidentalmente ter pisado o acelerador em vez do travão, ou até mesmo que poderia ter "um ser diabólico dentro de si que o empurrou", conta o The Washington Post. Assim, evitou ser investigado e só em 2019 foi acusado de fraude e outros crimes, após o FBI tomar conta do caso.

Esta quinta-feira, foi condenado a 212 anos – a pena máxima – pelos crimes. Apesar de não ter sido formalmente acusado de homicídio, uma vez que os procuradores afirmam não ter provas suficientes para ganhar o caso, o juiz fez questão de tecer várias críticas a Elmezayan. 

"É o mais falso e hábil mentiroso... Não é nada mais do que um assassino brutal e ganancioso", disse o juiz Jonh F. Walter, citado pela imprensa internacional. "O único arrependimento que o réu tem é ter sido apanhado".

O filho mais velho de Elmezayan e Diab, Elhussein, de 20 anos, que estava num acampamento na altura do crime, afirmou em tribunal que nunca perdoaria o pai pelos crimes. "Espero que saibas que eu não quero ter mais nada a ver contigo. Não me ligues. Não me escrevas", sublinhou.

O casal conheceu-se no Egipto e imigraram ilegalmente para os Estados Unidos da América em 2000. Tiveram três filhos, e acabariam por se divorciar em 2009, mas continuaram a viver na mesma casa para "enganar" as autoridades de imigração. Segundo Diab, o ex-marido era um pessoa violenta, que lhe batia e a ameaçava de morte.

Depois das mortes, Elmezayan conseguiu angariar mais de 260 mil dólares das seguradores, tendo gasto o dinheiro em imóveis no Egito e num barco. Agora terá de devolver esse dinheiro.