Economia

Caixa. Fim da moratórias pode provocar 'tsunami' de malparado

Paulo Macedo lembra que turismo está "praticamente paralisado desde o início da pandemia". 

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos abre a hipótese de abrir portas a um tsunami de crédito malparado com o fim das moratórias bancárias, caso não haja outros apoios aos setores mais afetados pela crise. “Com o fim das moratórias temos de nos assegurar que as empresas certas são apoiadas para não ter um ‘tsunami’ de NPL”, afirmou Paulo Macedo.

E dá como setores como o turismo, que estão praticamente paralisados desde o início da pandemia e que diz necessitarem de um apoio adicional para conseguirem fazer face a estes encargos. No entanto, o banqueiro garante que, desta vez, as instituições financeiras “foram parte da solução, ao contrário do que aconteceu na crise anterior”, realçando que estavam preparados com capital e liquidez para fazer face à crise.

De acordo com o ex-ministro da Saúde deixa ainda uma sugestão: “uma das coisas que os gestores dos fundos europeus podem aprender com a banca é usar os mecanismos como o fit and proper”. Este é um conceito que funciona como uma espécie de teste para determinar a honestidade, responsabilidade, integridade e reputação de uma pessoa, por norma gestor de uma organização, daí que “para ser bem sucedido o PRR deve ser rigoroso”.
Sobre o setor da banca, admite que depois de ter sido “parte do problema na crise financeira, agora foi parte da solução”. Ou seja, desta vez “os bancos estavam preparados com capital e liquidez”.

Os riscos para o pós-moratórias existem, embora exista uma melhor liquidez e preparação do que noutras alturas. Macedo admite que numa altura de taxas de jura baixas, de queda do PIB por causa da pandemia (embora menor do que se esperou), “temos de garantir que as empresas certas tenham apoios para não termos um tsunami de crédito malparado (NPL ou non-performing loans).

O BEI apresentou os resultados das mais recentes edições do seu relatório anual sobre o investimento e do inquérito anual do BEI sobre o investimento na Europa e em Portugal, tendo concluído que “quase metade (47%) das empresas em Portugal preveem investir menos devido à covid-19”.