Economia

BdP. Apoios só poderão ser retirados quando "todos os setores" recuperarem

Segundo o governador, há ainda “um certo nível de incerteza”.  PIB na OCDE cresceu apenas 0,9% no 4ª trimestre de 2020.

 

Para Mário Centeno, o clima económico ainda é muito certo para serem retirados os apoios e acredita que a retoma será uma oportunidade de adaptação às alterações da digitalização e finanças verdes. Segundo o governador do Banco de Portugal (BdP), o desempenho da economia portuguesa acabou por revelar uma “recessão menos severa que o esperado”. E lembra que “é esperado que a contração nos primeiros meses de 2021 seja menor” do que a vivida no arranque do ano passado, disse o ex-ministro no webinar “Investment, digitalization and green financing: The Portuguese case”.

Depois de uma queda no produto interno bruto (PIB) do país de 7,6% em 2020, o Banco de Portugal espera um crescimento de 3,9% este ano. Já a taxa de desemprego deverá deteriorar-se de 6,8% em 2020 para 8,8% em 2021. No entanto, segundo o governador do BdP, há medidas como as moratórias bancárias ou as linhas de crédito com garantias do Estado que terão sido responsáveis pelo desempenho.

“Estas medidas explicam por que é que as empresas conseguiram manter trabalhadores”, considera, apontando as diferenças face à última crise, na qual houve uma intensa destruição de empregos.  No entanto, lembra que há uma “linha fina” entre os dois cenários. E, por isso, considera que é importante que “medidas se mantenham até que todos os setores recuperem”, acenando com “um certo nível de incerteza”. 

 Crescimento lento

O que é certo é que os dados não são animadores. A recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) da OCDE foi de apenas 0,9% no último trimestre de 2020 devido principalmente às restrições na Europa provocadas pelo recrudescimento da pandemia, contra 9,3% no trimestre anterior.

Este é o cenário traçado pelos números publicados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que em 2020, no seu conjunto, sofreu uma contração de 4,8% do PIB. No quarto trimestre, a forte expansão verificada durante o verão foi praticamente congelada, nomeadamente devido à situação na Europa.

Já na zona euro, o PIB tinha aumentado 12,5% entre julho e setembro numa base trimestral, mas caiu 0,7% durante os três meses seguintes. Este movimento foi particularmente marcado em França - que passou de uma expansão de 18,5% no terceiro trimestre para uma contração de 1,4% no quarto trimestre - e em Itália - de uma subida de 15,9% para uma queda de 1,9%.

As medidas restritivas no final do ano para conter a pandemia também pesaram muito significativamente no Reino Unido, onde o PIB aumentou 16,1% entre julho e setembro, enquanto apenas aumentou 1% entre outubro e dezembro. No G20, que reúne as principais economias mundiais tanto dos países desenvolvidos como dos países emergentes, o PIB no quarto trimestre aumentou 2,1%, mais uma vez muito abaixo da taxa de 7,8% verificada no terceiro trimestre.