Economia

Confinamento leva a “redução expressiva da atividade económica”

INE diz que levantamentos e pagamentos de serviços e compras na rede Multibanco recuaram 25,7% em fevereiro após terem caído 18,7% em janeiro, ou as vendas de automóveis, que tombaram 30% em fevereiro e 59% em janeiro.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) identifica uma "redução expressiva" da atividade económica em Portugal no início deste ano, com a imposição de novas medidas restritivas no âmbito do novo confinamento geral.

“Em Portugal, a informação disponível para janeiro e fevereiro, num contexto de novas medidas restritivas de resposta à pandemia, revela uma redução expressiva da atividade económica“, refere o gabinete de estatísticas na Síntese de Conjuntura Económica publica esta quarta-feira.

Para chegar a essa conclusão, o INE teve em vários indicadores “rápidos”, nomeadamente os levantamentos e pagamentos de serviços e compras na rede Multibanco, que recuaram 25,7% em fevereiro após terem caído 18,7% em janeiro, ou as vendas de automóveis, que tombaram 30% em fevereiro e 59% em janeiro.

Mas não fica por aqui. Em fevereiro, o indicador de confiança dos consumidores diminuiu, após ter aumentado nos dois meses anteriores, de forma menos intensa em janeiro. "O indicador de clima económico intensificou em fevereiro a redução observada no mês anterior, recuando para um nível próximo do verificado em julho de 2020. Em fevereiro, verificaram-se diminuições acentuadas nos indicadores de confiança do Comércio e, em particular, dos Serviços, enquanto na Construção e Obras Públicas, o indicador diminuiu ligeiramente. Em sentido oposto, o indicador de confiança da Indústria Transformadora aumentou no último mês", diz o organismo.

E lembra que, de acordo com as estimativas mensais provisórias do Inquérito ao Emprego, as taxas de desemprego (15 a 74 anos) e de subutilização do trabalho aumentaram e o emprego diminuiu em janeiro. No mesmo mês, os índices de emprego dos indicadores de curto prazo diminuíram 2,5% na indústria, 4,6% no comércio a retalho e 8,5% nos serviços, tendo aumentado 0,1% na construção (variações de -3,0%, -4,7%, -8,4% e -0,1% no mês anterior, pela mesma ordem).

Já os índices de horas trabalhadas, ajustados de efeitos de calendário, apresentaram variações de -7,1% na indústria, -13,6% no comércio a retalho e -16,1% nos serviços (variações de -5,7%, -6,5% e -11,0% no mês anterior, pela mesma ordem).

Por seu lado, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) acelerou, tendo apresentado uma taxa de variação homóloga de 0,5% em fevereiro, mais 0,2 p.p. que no mês anterior, observando-se uma taxa de variação de 0,5% na componente de bens (0,3% em janeiro) e de 0,6% na componente de serviços (0,4% no mês anterior)