Economia

José Luís Arnaut revolta engenheiros

O novo aeroporto está a originar várias querelas. Se Henrique Chaves (no Nascer do SOL) parecia adivinhar o sismo em Alcochete; o ataque do presidente da ANA a um antigo bastonário dos engenheiros levou a Ordem a reagir com indignação. E Arnaut atacou também Luís Todo Bom.

O ‘ataque’ do presidente da ANA - Aeroportos, José Luís Arnaut, dirigido a Carlos Matias Ramos, antigo bastonário da Ordem dos Engenheiros e ex-presidente do LNEC, provocou um ‘tsunami’ de reações. Em entrevista ao Público, José Luís Arnaut lançou farpas a Matias Ramos na sequência de um artigo onde o engenheiro criticava «o remendo Montijo» como solução para o novo aeroporto de Lisboa (e defendia a opção Alcochete). «Há algumas pessoas, como Matias Ramos, que discutem de uma forma quixotesca (…) que nunca construíram um aeroporto nem do Lego», disse o presidente da ANA – empresa do grupo Vinci Airports – que defende o Montijo desde a primeira hora.

A reação mais contundente surgiu da Ordem dos Engenheiros que classificou a declaração de Arnaut de «leviana». «Repudio veemente a forma deseducada como o responsável pela empresa que gere os aeroportos nacionais tratou um prestigiado engenheiro (...) e que como cidadão tem todo o direito de manifestar a sua opinião, sobretudo em assuntos que conhece e são de interesse nacional», disse em comunicado. Na nota, assinada pelo atual bastonário Carlos Mineiro Aires, José Luís Arnaut é acusado de «ter conseguido evitar o envolvimento da engenharia portuguesa» no processo e também criticado por «vir agora reclamar apoios públicos para um investidor privado, a ANA/Vinci, mudando radicalmente o discurso que assumia quando o negócio corria bem».

O Nascer do SOL sabe que José Luís Arnaut chegou esta semana a enviar uma sms «muito desagradável» a Luís Todo Bom na sequência de um artigo de opinião deste no Jornal de Negócios onde criticava o processo e defendia Alcochete. Contactado pelo nosso jornal, Todo Bom não quis revelar o conteúdo da mensagem mas não deixou de censurar Arnaut pelo caráter «gratuito, deselegante e injusto» das palavras dirigidas a Matias Ramos.