Politica

"Armas são armas, mas o objetivo não é a guerra", disse António Costa sobre a possibilidade da UE proibir exportações de vacinas

O primeiro-ministro indicou que, neste momento, a Comissão Europeia está a fazer um “mapeamento nos 27 estados-membros, das capacidades que existem para produzirem a vacina, componentes da vacina ou acabamentos da vacina”, sendo o seu objetivo “articular essas capacidades” para aumentar a produção. A reunião do Conselho Europeu contou com a presença de Joe Biden. 

O primeiro-ministro, António Costa, presidiu à reunião do Conselho Europeu e no final da videoconferência, disse que um dos pontos debatidos foi a aceleração do “processo de vacinação ao nível europeu”.

“A Comissão está a trabalhar para organizar à escala europeia um esforço adicional para aumentar a capacidade de produção” das vacinas contra a covid-19 e “garantir o cumprimento dos contratos”, caso necessite recorrer “a todos os instrumentos” para que tal venha a acontecer.

António Costa explicou que isto será feito “salvaguardado sempre as cadeias de fornecimento indispensáveis de assegurar para o bom funcionamento da indústria dentro e fora da Europa”.

O primeiro-ministro indicou que, neste momento, a Comissão Europeia está a fazer um “mapeamento nos 27 estados-membros, das capacidades que existem para produzirem a vacina, componentes da vacina ou acabamentos da vacina”, sendo o seu objetivo “articular essas capacidades” para aumentar a produção. Costa disse que Portugal pode ter capacidade para algumas fases, assim como vários Estados-membros.

Em declarações aos jornalistas, António Costa afirmou que a Europa é um continente que se distingue por fornecer vacinas a outros países, sendo o bloco “que mais tem exportado”. E por isso, “deve haver reciprocidade por parte dos outros blocos económicos”, disse o primeiro-ministro.

Caso a União Europeia (UE) venha a proibir exportações de vacinas, António Costa disse que a imagem da UE manter-se-á a mesma, a do bloco mais exportador. “A Europa lidera o apoio à Covax, que é o mecanismo internacional que tem gerido vacinas para países em vias de desenvolvimento”, confirmou.

Em relação à dita proibição, o primeiro-ministro disse que essa não será a primeira arma a utilizar e que as conclusões finais do Conselho Europeu ditam que é necessário manter as cadeias de fornecimento para que não haja um “bloqueio global” no fornecimento das vacinas.

“Armas são armas, mas o objetivo não é a guerra, mas um trabalho pacífico em conjunto para aumentar a capacidade de resposta” a este desafio, esclareceu Costa, acrescentando que o “objetivo não é bloquear exportações, mas sim que não sejamos bloqueados pelos outros” no fornecimento de vacinas.

António Costa ainda afirmou que está ser montado um processo para que seja exequível inocular 100 mil doses de vacina por dia para o mais breve possível, porém tudo depende do fornecimento.

Sem “criar barreiras”, esta reunião contou com a visita, por videochamada, do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, considerando este momento “muito importante” para reforçar as relações entre a Europa e os EUA, afirmou Costa.

“Na pandemia ninguém estará salvo enquanto não estivermos todos salvos”, sublinhou o primeiro-ministro sobre a necessidade de unir as duas forças para um combate mais eficaz à pandemia de covid-19.

Ainda foi confirmado o trabalho conjunto entre os dois blocos para “enfrentar o desafio para as alterações climáticas” e para também cumprir as metas do Acordo de Paris.

A recuperação económica é vista como uma prioridade para a UE e os EUA, como também a “promoção dos valores democráticos que partilhamos com os EUA”, considerou António Costa.