Política a Sério

O Governo está a alimentar o racismo

Já não bastava termos de levar com o senhor Mamadou Ba a torto e a direito: no passado fim de semana fomos brindados com uma campanha ‘antirracista’ em todos os estádios de futebol.

Já não bastava termos de levar com o senhor Mamadou Ba a torto e a direito: no passado fim de semana fomos brindados com uma campanha ‘antirracista’ em todos os estádios de futebol.

Quando comecei a ver um jogo, tive curiosidade de saber o nome de um determinado jogador, espreitei para as costas da sua camisola e li: «RACISMO NÃO».

Estranhei.

Um jogador chamar-se RACISMO NÃO? Depois, verifiquei que todos os jogadores da equipa tinham o mesmo nome. E os jogadores da equipa adversária também. E à volta do estádio múltiplos cartazes ostentavam a mesma frase.

Se eu tivesse chegado a Portugal nesse dia, interrogava-me: mas o que sucedeu? Houve um atentado racista em grande escala? Deu-se um confronto violento entre brancos e negros?

Não: nada acontecera.

Apenas um qualquer senhor tivera a ideia peregrina de fazer uma campanha ‘antirracista’ em todos os estádios de futebol do país, com o pretexto de que no domingo era o dia Mundial Contra o Racismo.

Mas todos os dias é dia de qualquer coisa e nunca se vira nada igual, nem sequer parecido.

Tratou-se de uma perfeita tonteria, por cinco razões que passo a explicar.

Em primeiro lugar, uma campanha daquelas só faz sentido (e mesmo assim tenho dúvidas) onde haja um grave problema de racismo; ora, vivo em Portugal há décadas e nunca dei por isso. Haverá racistas isolados, como em toda a parte, mas um problema grave não há.

Em segundo lugar, os racistas isolados que porventura existam (e existem) não deixarão de ser racistas por lerem aquela frase. O que pode acontecer é o contrário: pessoas que nunca foram racistas sentirem-se atingidas por aquele atestado de menoridade e terem comportamentos agressivos. Dito de outro modo: estas campanhas não convertem aos ‘bons costumes’ nenhum racista e arriscam-se a fabricar racistas.

Em terceiro lugar – e como o que fica dito é óbvio –, aqueles que planearam a campanha só o podem ter feito por uma razão: meter algum dinheiro ao bolso à custa de uma iniciativa que é de ‘bom tom’, que ‘parece bem’, que ninguém se atreve a contestar.

Em quarto lugar, é muito perigoso misturar futebol com política. Dir-se-á que o antirracismo nada tem que ver com política, tem que ver com civismo e humanismo. Não sejamos ingénuos: o ‘antirracismo’ neste momento faz parte de uma agenda política de forças situadas na extrema-esquerda. Basta pensar no movimento Black Lives Matter para percebermos que estas campanhas não são nada inocentes.

Em quinto lugar, o local escolhido era totalmente inapropriado. Porque a mensagem era desmentida pelo que víamos. Em campo, não havia vestígios de racismo, pelo contrário: metade dos jogadores eram negros. E, a festejar os golos, brancos, negros e amarelos fundiam-se num abraço como se fossem um só homem. Bastava ver aquilo para perceber que a frase RACISMO NÃO, naquele local, não fazia qualquer sentido.

Por estas cinco razões, a campanha do passado fim de semana nos estádios de futebol, para lá de inútil, foi perigosa.

Num país tolerante como Portugal, bombardear as pessoas com campanhas ‘antirracistas’ só pode contribuir para desestabilizar a sociedade e despertar demónios adormecidos.

Se as campanhas em geral já são massacrantes, as campanhas ideológicas acabam por assumir o aspeto de lavagens ao cérebro – especialmente numa altura em que o ‘politicamente correto’ ataca em todas as frentes.

E neste aspeto, meter no futebol a política – mesmo quando esta se apresenta disfarçada debaixo de uma capa ‘humanista’ – é perigosíssimo. Para onde caminharemos, se nos estádios de futebol começarem a aparecer a torto e a direito mensagens políticas sob os mais variados pretextos? Já se pensou nisso?

Por último, fazer uma campanha a falar de racismo num meio onde há brancos e negros (e amarelos) em situação de perfeita igualdade, e celebrando êxitos em conjunto, é contraproducente.

Enfim: António Costa destinou 15 milhões para o ‘combate ao racismo’ e o dinheiro tem de ser gasto de qualquer maneira.

O problema é que, ou muito me engano, ou esta forma de combater o racismo está a fabricar racistas.

Basta consultar as redes sociais para vermos que as manifestações racistas estão a crescer.

Mas não é precisamente isto o que os ‘antirracistas’ querem?

 

P.S. – Do que me apercebi, apenas um clube, o FC Porto, não aderiu à ideia de substituir os nomes dos jogadores pelo slogan RACISMO NÃO. Tratou-se de uma decisão assumida ou foi um descuido? Se foi assumida, parabéns. Haja alguém com um mínimo de lucidez.