Economia

Novo Banco. Nova injeção de capital abre “guerra” política

Banco liderado por António Ramalho anunciou a intenção de pedir mais 598,3 milhões de euros ao Fundo de Resolução, mas criou polémica.

O Novo Banco revelou que vai pedir mais 598,3 milhões de euros ao Fundo de Resolução, para fazer face aos prejuízos de 1329,3 milhões de euros relativos a 2020. Para já, o Presidente da República garantiu que é “prematuro” pronunciar-se sobre a matéria, apesar de admitir que é uma “prioridade garantir a estabilidade do sistema financeiro português e, dentro dele, do sistema bancário”.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, “o que foi noticiado supõe ainda uma série de dados, de esclarecimentos, de elementos de informação”, acrescentando que “para haver reconstrução do país, uma peça chave é naturalmente o sistema bancário”.

Também o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o pedido de capital do Novo Banco ao Fundo de Resolução “será apreciado”, mas considerou que “manifestamente ultrapassa” aquilo que se avalia ser devido.

Feitas as contas, o valor total das compensações solicitadas entre 2017 e 2019 e a solicitar relativamente a 2020 totalizam 3,57 mil milhões de euros, sendo que o teto de transferências do acordo é de 3,89 mil milhões de euros.

Recorde-se que a transferência de 476 milhões de euros prevista na proposta de Orçamento do Estado para o Fundo de Resolução, destinada a financiar o Novo Banco, acabou por ser chumbada no parlamento, mas o Governo esclareceu que vai cumprir o contrato firmado aquando da venda da instituição à Lone Star.

Esquerda contra

Para o Bloco de Esquerda, este novo pedido de injeção do Novo Banco é considerado “inaceitável”, o que no entender da líder bloquista, é uma “absoluta violência” face à crise que o país atravessa.

“O Novo Banco, em ano de crise, vem pedir uma nova injeção de 598 milhões de euros. São quase 600 milhões de euros que ninguém sabe de onde vêm. O primeiro-ministro diz que quer analisar as contas. Parece que agora já não considera, como disse ao Bloco no debate do Orçamento do Estado, que não se podiam analisar as contas, porque isso provocaria uma crise financeira terrível no país. Parece que agora já estamos todos de acordo que o Bloco tinha razão, é mesmo preciso analisar as contas antes de pôr sequer um tostão mais no Novo Banco”, disse Catarina Martins.

Também o PCP já tinha defendido que este pedido representava uma “afronta aos milhares” de portugueses em dificuldades económicas, por causa da covid-19, e defende que deve ser “liminarmente rejeitado” pelo Governo.
“Não podemos aceitar uma situação em que o Estado paga, mas quem gere e fica com os lucros é o privado... provavelmente com uma venda que se realizará a um qualquer grupo bancário internacional”, disse o deputado Duarte Alves.

Banca mais emagrecida Os cinco maiores bancos a operar em Portugal perderam 169 agências e 1222 trabalhadores entre o final de 2019. 

Há dois anos, esses bancos contabilizavam em conjunto 2413 balcões, tendo reduzido esse número para 2244 em 2020.
No ano passado, a CGD  ficou com 543 balcões, o Santander com 443, o BCP 478 e o BPI com 422.

Em relação a trabalhadores, as cinco maiores instituições contavam, de forma agregada, com 29980 trabalhadores, e em 2020 esse número reduziu-se em 1222, para 28758.

No final do ano passado, em Portugal, a CGD contava com 6583 trabalhadores, o Santander Totta com 5980, o BCP com 7013, o BPI com 4622 e o Novo Banco com 4560.

Recorde-se que só o banco liderado por António Ramalho apresentou perdas.