Sociedade

Pandemia reduziu atividade e satisfação sexual dos portugueses, revela estudo

O estudo revela ainda que 41% das pessoas que necessitaram de realizar testes a infeções sexualmente transmissíveis ou HIV foram impedidas ou tiveram uma maior dificuldade a aceder a estes exames devido à pandemia.

Um estudo do Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana (SexLab) da Universidade do Porto revelou que a atividade e a satisfação sexual dos portugueses reduziram devido à pandemia de covid-19.

O estudo, que recolheu os dados através de um inquérito online, visava entender o impacto das medidas impostas para impedir a propagação do novo coronavírus na saúde e no bem-estar sexual e reprodutivo, planeamento familiar, acesso a contracetivos, HIV, infeções sexualmente transmissíveis, violência de género e ainda na mutilação genital feminina.

Em Portugal, incluindo os arquipélagos da Madeira e dos Açores, participaram 3.322 pessoas no inquérito.

Os resultados revelados em comunicado pelo laboratório da Universidade do Porto são os preliminares do estudo desenvolvido através do projeto internacional 'I-SHARE', composto por 33 países dos cinco continentes,

De acordo com o SexLab, 47% dos inquiridos disse ter existido uma redução da frequência da atividade sexual e 40% afirmou uma redução da satisfação sexual como consequência da covid-19.

24% das mulheres e 23% dos homens anotaram ainda uma diminuição dos comportamentos sexuais, ainda que 17% e 14%, respetivamente, tenha referido "um aumento na frequência da atividade com o parceiro".

Em relação à masturbação, 17% das mulheres e 24% dos homens apontam para um "aumento da frequência" como consequência da pandemia, porém a "maioria dos participantes refere não ter havido mudanças relativamente ao consumo de pornografia".

O estudo ainda acrescenta que 41% das pessoas que necessitaram de realizar testes a infeções sexualmente transmissíveis ou HIV foram impedidas ou tiveram uma maior dificuldade a aceder a estes exames devido à pandemia.

No âmbito da violência no contexto de intimidade durante o confinamento, 8% dos homens e 7% das mulheres admitiu ter sofrido "pelo menos um tipo de violência psicológica ou verbal por parte do parceiro". Já a violência física foi reportada por uma "percentagem notoriamente menor de homens (2%) e de mulheres (1%)".

Quanto aos aspetos de saúde mental, mais de metade dos participantes disse que o novo coronavírus teve um impacto negativo nas suas vidas e sentiram "frustração com as medidas impostas", "medo de ficar infetado" e "medo de tocar em coisas fora de casa".

"Cerca de 20% dos participantes refere comportamentos obsessivos/compulsivos sobre a covid-19", indicou o estudo.

Agora vai começar a segunda fase do estudo, que servirá para compreender o "impacto das medidas impostas pela covid-19, um ano após o seu início e num período de novo confinamento, na saúde e bem-estar sexuais e reprodutivos”.

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