Cultura

Song Giving. Agora é possível personalizar e oferecer a arte das musas

«Inspire-nos, ofereça e guarde numa canção e para sempre pessoas e momentos especiais» é uma das premissas do projeto criado por Nicholas Ratcliffe e Tiago Morais dos Santos. O Song Giving proporciona aos portugueses a chance de acompanharem o processo de produção da música que oferecerão a quem mais amam.

Uma mulher que quer surpreender o marido no seu 50.º aniversário, um pai que ambiciona demonstrar o amor que nutre pela filha, dois avós que pretendem provar aos netos o quão especiais são, uma mulher cujo marido toca baixo e almeja oferecer-lhe um presente que não seja efémero, uma pessoa que planeia uma surpresa para o aniversário de uma das melhores amigas, um filho que homenageará o pai e uma turma de estudantes universitários que não esquece o impacto que um professor teve no seu percurso.

O que é que estas pessoas têm em comum? Recorreram ao Song Giving, o mais recente projeto do compositor e guitarrista do grupo Café D’Alma, Nicholas Ratcliffe. Primeiro, este teve a ideia de compor canções de embalar, até porque já havia escrito duas para os filhos. Deste modo, começou a ouvir os amigos dizerem que esse era um privilégio porque todas as crianças ouvem as mesmas músicas para adormecer. «E se houvesse mais pessoas com esta possibilidade, será que o fariam?», questionou.

Juntando-se a Tiago Morais dos Santos, lançou o projeto no dia 12 de março, tendo o site sido disponibilizado ao público volvida uma semana. «Esta ideia surgiu durante a pandemia, mas acho que surgiria na mesma sem ela. Não foi uma necessidade de trabalho, mas sim de curiosidade e já está a correr muito bem», conta o co-fundador.

Os clientes podem usufruir de três planos de compra: o primeiro, o Adagio, termo ligado ao andamento musical lento, inclui uma música composta por voz, guitarra ou piano, tem uma duração de até quatro minutos, a letra pode ser produzida em português ou inglês e o prazo médio de entrega é de três semanas após a encomenda. Já o Andante, que na música é um andamento musical moderado, contempla voz, bateria, baixo e guitarra ou piano, tem a mesma duração do anterior e as mesmas especificações em termos da língua em que a letra é escrita, mas acresce uma semana ao prazo de entrega. Por último, o Allegro, em representação do andamento musical leve e ligeiro, difere dos restantes por existir a possibilidade de juntar voz, bateria, baixo, guitarra e piano – sem ter de se optar apenas por um instrumento –, e o prazo de entrega é de cinco semanas.

No formulário de encomenda, além de dados habituais como o nome ou o contacto telefónico, o cliente pode inserir o nome da pessoa à qual oferecerá a canção, escrever sobre a mesma para inspirar Ratcliffe, escolher se pretende gravar uma mensagem de voz para incluir na música que será composta e até especificar se esta marcará uma ocasião especial.

«Não é difícil escrever sobre alguém que não conheço porque as pessoas dão-nos informações. Alguns fazem uma descrição muito pobre, mas não é propositadamente, é porque entendem que é simples», narra o artista, acrescentando, por outro lado, que «também há quem escreva muito e conte pormenores interessantes e chegue até, por exemplo, a não esquecer de partilhar que a pessoa gosta de marisco», diz entre risos.

«Eu acho que se calhar estão à espera de que faça uma descrição de algo que sirva para toda a gente, mas acho melhor contar uma história única. Tento ir ao encontro da necessidade dos clientes», explicita, adicionando que, por existirem inúmeras oportunidades de criação, «pode haver revivalismo, mas também alguém pode querer inovar misturando estilos, imaginemos», sugere, frisando que o lema do Song Giving é «The new kind of gift» exatamente por se tratar de uma ideia que somente foi levada a cabo nos EUA – Songfinch –_e no Brasil – Sua Música Personalizada –, sendo pioneira em Portugal.

«Vamos alterando coisas em função do feedback. O cliente tem de ‘dar o ok’ à letra, só depois passamos para a música», assevera, revelando que esta forma de produção opõe-se à maciça «estilo fast food», que tem vindo a predominar no mercado e, consequentemente, «aquilo que acontece é que os clientes ficam surpreendidos porque nunca tiveram uma música só para eles».